A Petrobras é a saída para a crise da Braskem

Por Eric Gil Dantas, economista do Observatório Social do Petróleo, e Luciano Alves, direção colegiada Sindipetro Alagoas/Sergipe e Federação Nacional dos Petroleiros

A Braskem é sem sombra de dúvidas uma empresa fundamental para a economia de Alagoas. As unidades de Maceió e de Marechal Deodoro são as maiores produtoras de PVC da América Latina e de soda cáustica da América do Sul. A empresa gera cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos e R$ 417 milhões em tributos diretores e indiretos, isso falando apenas do estado de Alagoas.

Só isso bastaria para qualquer um achar razoável que a produção da empresa sobreviva em nosso estado. E aqui não estamos falando da extração da sal-gema, que era apenas uma das operações, e já foi paralisada em 2019 e substituída por importação de sal chileno desde 2021. Extração essa que nunca deveria sequer ter começado, e só teve seu aval porque vivíamos em uma ditadura militar à época, e sua continuidade por negligência dos governos posteriores.

Também não estamos falando que a empresa não deva pagar por todos os seus crimes ambientais. Em termos financeiros, a Braskem tem a possibilidade de garantir uma assistência muito mais digna à população afetada do que vem fazendo e pagar todas as multas e indenizações necessárias. Afinal de contas, é uma empresa que tem receitas da ordem de R$ 100 bilhões ao ano.

Mas o que é preciso fazer para que a empresa seja preservada, junto aos empregos, renda e tributos gerados em Alagoas?

A Braskem já vem em um processo de venda por parte do seu sócio majoritário, a Novonor (antiga Odebrecht). Hoje a proposta de compra que está à mesa é a da Empresa Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc). Mas tem um detalhe. A Petrobras é sócia minoritária, com 36,1% do total de ações (47% das ações com direito a voto), e poderia exercer seu direito de preferência sobre a fatia da Novonor. E é isso o que a Petrobras tem que fazer.

A estatal está com uma política de retomada de investimentos e de retorno a setores estratégicos, como energias renováveis, fertilizantes e petroquímico. O abandono do Nordeste por parte da Petrobras, comandada pelas últimas gestões da empresa, criou uma série de efeitos perversos na economia da região, como combustíveis mais caros na Bahia, fábrica de fertilizantes parada em Sergipe e perda de postos de trabalho em Alagoas. Nada mais justo que a retomada dos investimentos na petroquímica da Petrobras comece por aqui. No seu plano estratégico publicado no mês passado, a estatal prevê um aumento de 47% na demanda de produtos petroquímicos no país até 2050, o que deixa claro que é um setor estratégico e rentável no longo prazo.

Com a Petrobras no comando da Braskem esta crise pode ser gerida de forma mais democrática com melhor intercâmbio entre os interesses públicos e privados. A Petrobras tem a expertise e os recursos necessários para fazer com que a Braskem supere esse momento tão difícil. E, por fim, é urgente que a Petrobras volte a ser um catalisador do desenvolvimento regional, compensando os anos em que só houve desinvestimento e demissões da empresa no Nordeste.

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