Movimento se consolida como marco histórico do sindicalismo nos últimos 30 anos; unidades paralisadas respondem por cerca de 80% da produção nacional e grevistas exigem respeito da Petrobras em mesa de negociação
A greve dos trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobrás chegou ao seu 12º dia nesta sexta-feira (26/12), com demonstrações de força e unidade que desafiam a direção da companhia.
Em um dia de intensas deliberações, as bases da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) — Sindipetro Rio de Janeiro (RJ), Sindipetro Litoral Paulista (LP) e Sindipetro Amazônia — aprovaram a manutenção do movimento paredista. Já o Sindipetro Alagoas e Sergipe (AL/SE) realizará suas assembleias na terça-feira, 30 de dezembro.
O dia também foi marcado por uma reviravolta política na Bacia de Campos. Pela manhã, trabalhadores da base do Sindipetro Norte Fluminense (NF) votaram pela continuidade da greve, rejeitando a proposta da empresa e contrariando o indicativo do seu próprio sindicato e da federação à qual é filiado (FUP), que orientavam pela aceitação.
A decisão reforça o caráter independente e “de baixo para cima” que tem caracterizado a atual mobilização por um ACT digno, que valorize os trabalhadores e trabalhadoras que constroem as riquezas da maior empresa do país.
Rio de Janeiro: aprovação unânime e peso estratégico
No Rio de Janeiro, mais de 200 grevistas reunidos em assembleia na tarde desta sexta-feira aprovaram, por unanimidade, a continuidade da greve. Para o Sindipetro-RJ, o movimento já se reafirma como um marco histórico do sindicalismo petroleiro nas últimas três décadas.
A entidade destaca um dado crucial para a correlação de forças: os sindicatos que permanecem em greve são responsáveis por cerca de 80% da produção petrolífera do Brasil e representam a maior parte dos trabalhadores da ponta operacional.
A plenária do RJ também debateu os riscos impostos pela intransigência da empresa e do governo, incluindo a judicialização do movimento e o assédio moral. Foi aprovada a articulação conjunta entre os sindicatos grevistas para buscar interlocução direta com a empresa sobre as pautas mais sensíveis.
Em nota, o sindicato foi enfático sobre a segurança operacional: “A descontinuidade dos processos, queda de produção e/ou acidentes que venham a ocorrer são de responsabilidade da gestão Magda Chambriard”.
Litoral Paulista: vanguarda e a defesa dos aposentados
No Litoral Paulista, a categoria deliberou pela suspensão da assembleia e a manutenção da greve petroleira. A mobilização registrou participação expressiva, com quase 400 votos computados simultaneamente na sede em Santos (SP), na subsede em São Sebastião (SP) e no Hotel Promenade (RJ), próximo ao Aeroporto de Jacarepaguá (RJ), onde se concentram os trabalhadores offshore.
O Sindipetro-LP ressaltou a complexidade de sua base — que une refinaria, plataformas do pré-sal, usinas, terminais da Transpetro e administrativo — como fator determinante para rejeitar propostas genéricas que não contemplam as especificidades de cada setor.
A direção do LP critica duramente a tentativa da Petrobras de deixar aposentados e pensionistas à margem das negociações, reafirmando que “ninguém fica para trás”.
Amazônia: força na maior província terrestre
Na região Norte, a mobilização também se mostrou coesa e decisiva. O Sindipetro Amazônia realizou sua assembleia às 17h (horário de Brasília) e aprovou, por unanimidade, a continuidade da greve.
A adesão desta base reveste-se de importância estratégica fundamental, uma vez que ela engloba a Província Petrolífera de Urucu (AM). Localizada no coração da floresta, Urucu é o maior campo terrestre de exploração de petróleo e gás do Brasil, o que amplia o impacto da paralisação e demonstra que a insatisfação da categoria atravessa o país, do mar ao interior da Amazônia.
Próximos passos
Com a decisão unificada das bases da FNP e a manutenção da base do Norte Fluminense, a greve entra no final de semana pressionando a direção da Petrobras a reabrir o canal de negociações.
A categoria demonstra maturidade política e disposição para enfrentar as tentativas de divisão, mantendo a paralisação até que um Acordo Coletivo de Trabalho digno e justo seja apresentado.
A GREVE CONTINUA!
POR MAIS ACT, MENOS ACIONISTA!
ATÉ A VITÓRIA!



