Mobilizações realizadas nas bases da FNP, na última sexta-feira (03/10), cobraram valorização da categoria e alertaram para precarização e a privatização da empresa, além do genocídio na Palestina
O aniversário de 72 anos da Petrobras, celebrado na última sexta-feira (03/10), foi marcado por um dia nacional de luta em diversas bases da companhia por todo o país.
Convocados pela Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), os atos unificaram a categoria em torno do mote: Dia Nacional de Luta por um ACT Digno, em Defesa do Petróleo e do Gás Brasileiro, por uma Petrobras 100% Estatal e pelo Fim do Genocídio na Palestina.
Os petroleiros e petroleiras fizeram mobilizações na entrada das unidades contra a terceirização, em defesa dos aposentados e pensionistas — exigindo o fim dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) na Petros —, contra a privatização do patrimônio público e, sobretudo, pela assinatura de um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que reconheça os esforços de quem produz diariamente as riquezas da maior empresa do Brasil.
Litoral Paulista: mobilizações intensas em diversas unidades
No Litoral Paulista, as mobilizações ocorreram desde as primeiras horas da manhã em diversas unidades, como a UTE-EZR, RPBC, Pilões, Alemoa, UTGCA, Tebar, além das plataformas PMXL, P-66 e P-69 e do Edisa Valongo, em Santos.
A principal contradição apontada pelo sindicato foi a postura da gestão, que alega a necessidade de “corte de gastos” enquanto a companhia registra lucro líquido de US$ 10,7 bilhões no primeiro semestre de 2025, um crescimento de 140% em relação ao mesmo período de 2024.
Durante o ato no Edisa, o diretor Fábio Mello criticou a política de austeridade da presidência. “Os petroleiros e petroleiras também estão protestando contra o arrocho da Magda, contra esse ‘aperte os cintos’, que deseja colocar esse déficit do brent do petróleo nas costas dos trabalhadores. Nós não vamos permitir isso. Se for preciso, faremos greve”, ressaltou.
Os trabalhadores também se manifestaram em relação ao combate à exposição ao benzeno e por solidariedade internacional, condenando a ofensiva de Israel em Gaza contra o povo palestino.

Na Amazônia, atos pelos direitos de toda a categoria
No estado do Amazonas, petroleiros próprios e terceirizados realizaram uma grande concentração no Porto Encontro das Águas, em Manaus, para celebrar a data e fortalecer a luta.
Em Belém (PA), o ato na sede do Sindipetro reuniu trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas, que reivindicaram o fim dos PEDs na Petros, responsáveis por onerar drasticamente os seus contracheques.
A dimensão internacional do conflito na Palestina também foi pauta central na região. O diretor Bruno Terribas destacou a posição da categoria: “Que nenhum petróleo brasileiro seja exportado para abastecer a máquina de guerra do estado de Israel na Faixa de Gaza”, disse.

Alagoas e Sergipe: “queremos nossa fatia do bolo”
Em Aracaju (SE), a manifestação em frente ao Ediser foi simbólica. Trabalhadores da ativa e aposentados cortaram um bolo de aniversário da Petrobras, exigindo sua justa participação nos resultados da companhia.
A metáfora foi explicada pelo diretor do Sindipetro AL/SE, Sidney Melo: “Estamos cobrando reconhecimento. Que esses grandes dividendos da Petrobras também sejam divididos entre aqueles que têm a maior importância na construção dessas riquezas, que é a força de trabalho”.
O sindicato também reforçou a importância da luta pelos aposentados, que dedicaram suas vidas à construção da soberania energética do país. “Nossa luta continua, nossos aposentados merecem dignidade”, pontuou a entidade em suas redes sociais.

Rio de Janeiro: Atos denunciam privatização na PBio e ataques da gestão Magda
O Sindipetro-RJ também se somou ao dia nacional de mobilizações, com atos que ocorreram em pontos estratégicos da companhia.
As manifestações foram registradas no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) e no Terminal Aquaviário da Baía de Guanabara (Tabg) nas primeiras horas da manhã, além de um ato em frente ao Edifício Senado da Petrobras (Edisen), no horário do almoço, ecoando as pautas nacionais por um ACT digno e em defesa dos direitos da categoria.
“A empresa segue cortando dos aposentados e terceirizando as atividades, o que vem gerando acidentes e provocando mortes. A Petrobras tem a cara de pau de encher a cidade de propaganda sobre transição energética e quer terceirizar o trabalho na Petrobras Biocombustível (PBIO)”, alertou Leandro Lanfredi, diretor do Sindipetro-RJ.

Com informações e fotos do Sindipetro Litoral Paulista, Amazônia, Alagoas/Sergipe e Rio de Janeiro



