Após 16 dias de intensa mobilização, piquetes e muita resistência — atravessando o Natal e desafiando a intransigência da gestão Magda Chambriard —, as bases da Federação Nacional dos Petroleiros aprovaram o encerramento da greve e assinatura da proposta de ACT
Ontem, 30 de dezembro de 2025, os trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobras ligados às bases da FNP (Sindipetro Litoral Paulista, Sindipetro Rio de Janeiro, Sindipetro Amazônia e Sindipetro Alagoas/Sergipe) decidiram encerrar um dos movimentos paredistas mais importantes da categoria nas últimas três décadas.
A decisão ocorreu após o envio da 4ª proposta pela Petrobras — a chamada “proposta de ajuste” — com prazo de validade expirando no mesmo dia, e antecedendo a audiência de conciliação do dissídio de greve no Tribunal Superior do Trabalho (TST), agendado para sexta-feira, dia 02/01, além de um possível julgamento que ocorreria no dia 06/01.
Uma greve histórica contra a ganância dos acionistas da Petrobras
Iniciada em 15 de dezembro, esta greve não foi apenas por índices econômicos, mas uma disputa sobre os rumos da Petrobras.
“Sob o lema ‘Menos Acionista, Mais ACT’, a categoria denunciou a política de dividendos inescrupulosos que enche os bolsos de investidores enquanto oferece migalhas a quem constrói os lucros recordes da empresa com o próprio suor”, ressalta Eduardo Henrique, secretário-geral da FNP.
Foi a Federação Nacional dos Petroleiros que protagonizou a resistência nesta greve. Enquanto outras representações aceitaram acordos prematuros, as bases da FNP barraram ataques e retrocessos, de modo a forçar a empresa a negociar até o último instante.
O também secretário-geral da FNP, Adaedson Costa, resumiu o sentimento de dever cumprido e avalia:
“Essa greve arrancou resultados vitoriosos na luta contra a Petrobras, que manteve uma postura intransigente e omissa. E o recado é claro à direção da empresa: daqui a quatro meses queremos um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) que atenda a categoria.”
“Somente houve melhorias da 3ª para a 4ª proposta do Acordo em função da nossa greve histórica, o que demonstra, na prática, a força da categoria petroleira no âmbito da luta coletiva. Existem vitórias, é claro, mas o mais importante, agora, é que conseguimos barrar muitos ataques da empresa”, complementa Eduardo Henrique.
O recuo tático e o compromisso de não punição
A avaliação das assembleias dos sindicatos filiados à FNP considerou o cenário nacional adverso e o desgaste da liminar do TST [CLIQUE AQUI E ENTENDA O CASO].
Contudo, a mobilização arrancou garantias fundamentais para os grevistas, oficializadas pela empresa em carta do RH, enviada na manhã do dia 30/12.
Tratamento dos Dias Parados: Metade dos dias de greve será abonada e a outra metade descontada, podendo ser compensada via banco de horas, sem reflexos na vida funcional.
Sem Punições: Compromisso expresso da Petrobras de não promover punições ou transferências motivadas pela greve.
Sindipetro-RJ: Plenárias diárias e a unidade na luta
No Rio de Janeiro, o movimento paredista foi sustentado pela organização exemplar da base. Durante duas semanas, o Sindipetro-RJ realizou plenárias cotidianas que reuniram centenas de grevistas, criando as condições necessárias para o crescimento do movimento e o enfrentamento direto aos ataques da gestão da empresa.
No dia decisivo (30/12), a plenária se reuniu logo pela manhã para avaliar o quadro nacional. Diante do desmonte da greve em outras regiões e o recuo de bases importantes do setor offshore, a direção e a base, com responsabilidade política, identificaram que manter o sindicato isolado seria um equívoco tático.
A decisão de encerrar o movimento visou preservar a força coletiva para as lutas do próximo ano. Ana Paula Baião, diretora da FNP e do Sindipetro-RJ, destacou o legado desse movimento:
“Consideramos que o exemplo da greve do Rio de Janeiro e das bases da FNP foi o que nos possibilitou avançar em melhores condições neste Acordo e impedir maiores ataques do governo e da direção da Petrobras.”
Sindipetro Litoral Paulista: Democracia operária e a luta do offshore
No Litoral Paulista, a deliberação pelo encerramento da greve foi ampla e democrática, com assembleias na sede, subsede, Aeroporto de Jacarepaguá e nas bases operacionais sob liminar. Foi aprovada a 4ª proposta e a Contribuição Assistencial de 2,5% para não-sócios do Sindipetro.
O segmento offshore, alvo de constantes ataques no último período, foi decisivo nesta campanha reivindicatória, dando exemplo de unidade e disposição de luta com os desembarques das plataformas do Pré-Sal.
Os companheiros e companheiras do LP também realizaram piquetes diários em frente à Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) e à UTE-EZR, aos Terminais da Transpetro – Alemoa (Santos), Pilões (Cubatão) e Tebar (São Sebastião) – na UTGCA, em Caraguatatuba, e em frente ao prédio administrativo Edisa/Valongo, a sede do Pré-Sal, no Centro de Santos (SP), que teve um importante peso simbólico nesta campanha.
Sindipetro Amazônia: A força de Urucu aos Terminais
A força da greve no Norte do país também foi exemplar. As assembleias ocorreram nas sedes do Sindipetro Amazônia em Manaus (AM), Belém (PA), além da participação remota para os companheiros e companheiras do Terminal de São Luís (MA), iniciando às 20h.
Bruno Terribas, diretor da FNP e do Sindipetro, destacou a responsabilidade da decisão coletiva:
“A base avaliou junto com a diretoria que não havia por onde avançar sozinhos, e que a melhor decisão a ser tomada seria pela assinatura da 4ª proposta de ACT da Petrobras.”
O movimento paredista foi intenso nos dois terminais da Transpetro (Belém e São Luís), com ‘trancaços’ e piquetes que demonstraram a insatisfação da base.
Contudo, o destaque foi a adesão em massa dos trabalhadores e trabalhadoras da Província Petrolífera de Urucu (AM), que protagonizaram um desembarque histórico e permaneceram em luta, realizando ações contundentes no Aeroporto de Manaus (AM), no Edifício Sede de Manaus (Ediman) e na sede do Sindicato.
Sindipetro AL/SE: Dever cumprido e o anseio por SEAP
Em Alagoas e Sergipe, as assembleias também foram finalizadas no início da noite do dia 30/12, com a aprovação do Acordo Coletivo e o encerramento da greve nas bases dos estados.
O Sindipetro AL/SE agradeceu à categoria pelo ano de luta.
“Foram dias intensos, mas necessários para que a gente chegasse a uma proposta melhor para toda a categoria”, avaliou Sidney Melo, diretor do Sindipetro AL/SE.
Já Thiago Ítalo, também diretor do Sindipetro AL/SE, projetou os desafios e esperanças para o próximo ciclo:
“Que possamos ter um ano de 2026 de muita paz e muitas vitórias, principalmente em relação ao retorno da Petrobras ao estado de Sergipe, com o Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), e na luta com os aposentados pelo fim dos PEDs na Petros.”
As lutas de 2026
A FNP e suas bases encerram o movimento grevista de cabeça erguida. A assinatura deste ACT não é o fim, mas o reagrupamento da nossa categoria para as batalhas de 2026.
Os trabalhadores e trabalhadoras saem mais fortes e organizados para exigir a retomada célere das negociações do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e uma solução definitiva para os equacionamentos da Petros, que tanto assola nossos aposentados e pensionistas.
A luta continua, companheirada.
Seguimos firmes e fortes em 2026!
Um feliz ano novo a todos e todas!
Viva a FNP! Viva a categoria petroleira!
FNP, A LUTA É PRA VALER!



