Trabalhadores protestam contra mudanças no regime híbrido e exigem negociação com a empresa pela inclusão de regramento no ACT
A quarta-feira (26/02) foi marcada por um forte movimento de mobilização dos trabalhadores do Sistema Petrobras em defesa do teletrabalho.
Convocado pela Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), o Dia Nacional de Atrasos e Mobilizações reuniu trabalhadores do horário administrativo em diversos estados, em atos e paralisações contra as mudanças unilaterais impostas pela empresa ao modelo híbrido.
O mote do protesto e do movimento é explícito “Teletrabalho: nem um passo atrás!”. Atualmente, o regime prevê dois dias presenciais e três dias em home office.
A mobilização, contudo, ocorre em resposta à decisão da Petrobras de ampliar o número de dias presenciais no regime híbrido, reduzindo o tempo de trabalho remoto, sem negociação prévia com as entidades sindicais.
Desde janeiro, os trabalhadores do administrativo vêm pressionando a gestão da estatal para que reveja a medida e estabeleça um canal de diálogo sobre o tema.
Greve no Rio de Janeiro e ato no Edisen
No Rio de Janeiro, base do Sindipetro-RJ, filiado à FNP, a adesão ao movimento foi massiva. Os trabalhadores realizaram uma greve de 24 horas, com um grande ato em frente ao Edifício Senado (Edisen), sede administrativa da Petrobras.
“Aqui no Rio de Janeiro, fizemos uma linda greve, com uma adesão massiva dos trabalhadores e trabalhadoras nesse Dia Nacional de Atrasos e Mobilizações. A nossa reivindicação é que a Petrobras, primeiro, suspenda essa última alteração no regime de teletrabalho, divulgada em janeiro. E que os representantes da empresa sentem em mesa para negociar com as entidades sindicais. Queremos a garantia desse regramento no nosso Acordo Coletivo de Trabalho (ACT)”, afirmou Ana Paula Baião, diretora da FNP e do Sindipetro-RJ.
A dirigente também destacou as vantagens do regime de teletrabalho ao conjunto de trabalhadores, bem como para toda a sociedade: “O teletrabalho trouxe inúmeros benefícios para milhares de trabalhadores, como mais qualidade de vida, mais tempo com a família, mais saúde mental, menos tempo no trânsito.”
Fortes mobilizações no Litoral Paulista
A mobilização também foi intensa nas bases do Sindipetro Litoral Paulista (LP). Trabalhadores da Refinaria Presidente Bernardes (RPBC) e da UTE-EZR, em Cubatão, do Terminal Almirante Barroso (Tebar), em São Sebastião, e do Terminal da Alemoa, em Santos, aderiram ao movimento, reforçando a cobrança por avanços na negociação do teletrabalho.
No Edisa Valongo, em Santos, onde se concentra o maior número de funcionários do administrativo na região, o ato foi expressivo. A paralisação ultrapassou duas horas de atraso no horário núcleo e reuniu mais de 220 trabalhadores.
A presença da vereadora de Santos, Debora Camilo (PSOL), evidenciou a importância da mobilização e o impacto das decisões da Petrobras na vida dos trabalhadores.
A categoria petroleira alerta que a questão do teletrabalho impacta diversas áreas do Sistema Petrobras, incluindo trabalhadoras grávidas e em período de amamentação, bem como funcionários do setor operacional transferidos para funções administrativas.
Além disso, há uma preocupação ambiental, uma vez que o aumento da obrigatoriedade do trabalho presencial implicaria maior emissão de carbono, contrariando as próprias diretrizes sustentáveis da estatal.
Nas bases do Litoral Paulista também foram levantadas pautas específicas de cada unidade, como VA/VR da RPBC, bem como questões gerais que afetam toda a categoria, tais quais: Benzeno VRT x LEO, Caravana Nacional da Informação-PETROS, Fórum SMS Prestadores de Serviços, Seminário PCCS FNP e FUP, entre outras.
Mobilização em Aracaju por teletrabalho e investimentos no estado
Em Aracaju (SE), os dirigentes sindicais do Sindipetro AL/SE realizaram um ato em frente ao Ediser, na Rua Acre, em defesa do teletrabalho e da permanência da Petrobras no estado.
Os petroleiros também reivindicaram a retomada dos investimentos na região, incluindo a implementação do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), que pode trazer novas oportunidades de emprego e desenvolvimento para o estado.
O objetivo é garantir que a base do projeto e os estudos de engenharia sejam instalados em Sergipe, evitando a evasão de investimentos estratégicos para a região.
Pressão sobre a Petrobras para negociar
Para além da defesa do regime de teletrabalho, a mobilização dos trabalhadores do Sistema Petrobras demonstrou a necessidade de barrar medidas unilaterais da empresa.
Caso essa imposição não seja enfrentada à altura, outros direitos dos petroleiros e petroleiras podem entrar na mira da Alta Administração da companhia.
A mobilização em defesa do teletrabalho segue forte em todo território nacional, e os trabalhadores e as trabalhadoras do administrativo deixam claro à presidente Magda Chambriard que não aceitarão retrocessos!
TELETRABALHO, NEM UM PASSO ATRÁS!
ATÉ A VITÓRIA!



