Em defesa da FNP: uma história de independência e luta

Sempre a partir das decisões da base, a Federação Nacional dos Petroleiros segue fiel à sua origem, atuando em prol dos direitos da categoria e por uma Petrobras 100% estatal, a serviço do povo brasileiro, sem medo, seja qual for o governo ou o patrão; considerações sobre a saída do Sindipetro-SJC da FNP

 

A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) emerge no cenário sindical brasileiro não apenas como mais uma entidade de classe, mas como uma alternativa, um movimento de renovação e resgate dos princípios mais combativos do sindicalismo.

Fundada em 2010, nossa história tem raízes na criação da Frente Nacional dos Petroleiros, em 2006, quando parte da categoria defendeu a não repactuação nos planos Petros, e foi por esse motivo que os sindicatos foram expulsos e não puderam participar do 12º Congresso da FUP naquele ano.

A FNP se ergue, então, sobre as bases da insatisfação da categoria e da necessidade de uma representação que estivesse verdadeiramente alinhada aos interesses dos petroleiros e petroleiras, livre das amarras do aparelhamento político e das formas de negociação que comprometem os interesses da categoria.

A criação da Frente Nacional dos Petroleiros foi um ato de coragem e coerência. Cinco sindicatos — Sindipetro-LP, Sindipetro-RJ, Sindipetro PA/AM/MA/AP, Sindipetro AL/SE e Sindipetro SJC — romperam com a velha política sindical e, em 3 de agosto de 2006, deram os primeiros passos rumo à fundação da nossa entidade.

Essa “frente” não era um fim em si, mas o início de uma nova jornada, marcada pela busca incansável por um compromisso genuíno com os trabalhadores.

A transição de Frente para Federação, em 30 de maio de 2010, durante o V Congresso, em Santos (SP), solidificou essa visão, transformando o movimento em uma entidade sindical cujo objetivo era apontar uma nova direção para o movimento petroleiro.

 

Princípios e bandeiras inegociáveis

A história da FNP é, portanto, uma história de resistência ao adesismo. Em cada uma das nossas bandeiras de luta, é possível enxergar a essência de uma vocação lutadora e a inabalável independência de classe. Longe de ter uma tática meramente corporativista, nossas demandas refletem uma visão ampla e estratégica sobre o papel da categoria petroleira no desenvolvimento do Brasil.

Uma das nossas principais campanhas, “O petróleo tem que ser nosso, Petrobrás 100% estatal”, demonstra o compromisso inegociável com a soberania nacional e o combate à privatização da companhia, de modo que essa riqueza esteja sempre a serviço do povo, não do mercado financeiro.

A luta contra o Preço de Paridade de Importação (PPI), durante os governos Temer e Bolsonaro, também evidencia a FNP na vanguarda da defesa do patrimônio público, ao denunciar uma política que transformava a principal empresa do país em mera exportadora de lucros para acionistas privados, em detrimento dos direitos dos trabalhadores e da população.

A FNP também se destaca por sua luta intransigente pela dignidade e equidade dentro do Sistema Petrobras. A bandeira da “PLR máxima e Igual para Todos” é um exemplo claro de sua busca por justiça social, combatendo a desigualdade na distribuição dos lucros.

A exigência de isonomia para todos os empregados do Sistema Petrobras é outra demonstração concreta do nosso compromisso pela unificação das lutas da classe trabalhadora, repudiando a precarização do trabalho e a divisão entre aqueles que de fato produzem as riquezas desta companhia.

Já a luta pela redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários, além da incorporação à luta nacional pelo fim da escala 6×1 no Sistema Petrobras e em toda a sociedade brasileira, revelam uma compreensão profunda da FNP diante das necessidades da classe trabalhadora, que vem sendo submetida a jornadas extenuantes, adoecimento e risco de morte no exercício do ofício.

Ademais, a FNP também se posiciona na linha de frente da luta contra as opressões, pela igualdade de direitos e oportunidades entre homens, mulheres, LGBTQIAP+, PcDs, aposentados e pensionistas, todos e todas, sem discriminação por etnia, gênero, idade ou orientação sexual.


Greves e mobilizações

A vocação lutadora da FNP se manifesta não apenas em suas bandeiras, mas em sua forma de atuar: através da mobilização e a partir da base. Diferentemente de outras entidades, que por vezes preferem negociações a portas fechadas, a FNP tem a base como sua principal força motriz.

Um marco dessa atuação foi a histórica greve de 2015. Em um contexto de crise econômica e tentativas de desmonte da Petrobras, a FNP capitaneou uma paralisação nacional que visava não apenas defender o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), mas também denunciar a política de desinvestimento e a privatização da empresa. Foi um movimento que colocou a FNP na vanguarda da defesa da Petrobras como patrimônio do povo brasileiro.

Outro pilar de nossa luta incessante, que perdura desde 2018, é o combate aos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros. A FNP se mantém na linha de frente, denunciando que a conta do déficit não pode ser jogada nas costas de aposentados e trabalhadores da ativa. O movimento defende que a Petrobras, como patrocinadora, tem responsabilidade pelo problema e deve honrar seus compromissos, garantindo a dignidade de quem dedicou sua vida à companhia.

Mais recentemente, vale destacar, ao longo do primeiro semestre de 2025, a FNP liderou a greve dos empregados do administrativo contra o fim do teletrabalho. 

A mobilização, que ganhou adesão nacional, foi uma resposta contundente da categoria à tentativa da gestão da Petrobras de impor o fim de um modelo de trabalho que trouxe mais qualidade de vida e produtividade. Essa luta reforçou o compromisso da FNP em defender não só os direitos econômicos, mas também as condições dignas de trabalho da categoria.

É preciso entoar: primamos pela democracia operária! Os nossos congressos e assembleias são espaços de debate e deliberação, onde as vozes e vontades dos petroleiros e das petroleiras prevalecem para enfrentarmos os mais complexos desafios que se apresentam no dia a dia.

Em suma, a FNP não é apenas uma organização sindical. É um amplo movimento nacional, que personifica a luta dos petroleiros e petroleiras por justiça social, soberania nacional e dignidade.

A história da Federação Nacional dos Petroleiros é um farol que ilumina o caminho para um sindicalismo independente e a partir da base, que se mantém fiel aos princípios da classe trabalhadora, sem jamais ceder aos interesses daqueles que tentam minar os direitos e o futuro da categoria (estando ou não no poder).

A FNP é a prova viva de que a luta organizada e consciente dos trabalhadores é o caminho para a conquista.

 

Ações em defesa do povo brasileiro

Em sua incansável defesa da soberania nacional, a FNP foi pioneira na criação do Observatório Social da Petrobras (OSP) em 2021, posteriormente renomeado para Observatório Social do Petróleo.

Essa iniciativa, financiada pela própria federação, surgiu com a missão de produzir e sistematizar estudos e dados relevantes para expor a política de desmonte da Petrobras adotada pelo governo Bolsonaro.

O Observatório se tornou uma ferramenta vital para furar o bloqueio midiático, combatendo a desinformação e denunciando o impacto social e econômico da política de Preço de Paridade de Importação (PPI) na vida da população.

Mais do que estudos, o OSP amplificou campanhas da FNP como a venda de gás de cozinha e combustível a preços justos, evidenciando que era possível e necessário uma política de preços que não sacrificasse o povo brasileiro em favor do lucro de acionistas.

Todo este histórico é uma pequena amostra do caminho que precisamos continuar trilhando na busca incessante pelos direitos dos trabalhadores.

 

Saída do Sindipetro-SJC da FNP

É importante salientar o respeito às representações eleitas pela base nos sindicatos e o direito de se conduzir a base pelos princípios e organização que os norteiam.

Mas não podemos nos eximir da responsabilidade de colocar o entendimento da Federação Nacional dos Petroleiros sobre o tema.

Há um equívoco flagrante na saída proposta pela direção do sindicato de São José dos Campos, visto que sua maior fundamentação é a busca pela unificação da categoria. Sua saída, ao invés de unificar, enfraquece a Federação, o que, por consequência, dificulta o caminho da unificação da categoria em uma única Federação, sem que uma subjugue a outra.

De outra sorte, fortalecer os sindicatos através da organização também sempre foi o caminho perseguido pela Federação Nacional dos Petroleiros. Essa forma de trabalho ímpar sempre trouxe grandes frutos para os sindicatos com bases menores, colocando-os na linha de frente de todas as negociações e beneficiando toda a categoria.

Outro ponto elencado pela diretoria de SJC é a incompatibilidade política, o que, a nosso ver, é outro equívoco, pois para a Federação Nacional dos Petroleiros e para os sindicatos só existe um objetivo: a defesa irrestrita da categoria. 

É para isto que somos eleitos. Sabemos da importância das eleições gerais e dos partidos políticos para o processo democrático, mas sabemos que a categoria deve ser a base central também para a luta política.

Por fim, a FNP continuará seguindo seus objetivos, continuará atuando irrestritamente pelo interesse da categoria e deseja que a base do Sindipetro de São José dos Campos decida coletivamente o melhor para seu futuro próximo.

E agradece por todos estes anos que ajudaram a construir a Federação Nacional dos Petroleiros.

E vale ressaltar: a FNP sempre fez e continuará a fazer a unidade na luta com o conjunto das entidades representativas da categoria petroleira. 

FNP, 15 ANOS DE INDEPENDÊNCIA E LUTA! 

FNP, A LUTA É PRA VALER!

 

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