Categoria petroleira reforça rejeição à segunda proposta rebaixada da Petrobras e defende isonomia e valorização de todos os trabalhadores do setor, próprios e terceirizados
Nesta quarta-feira (22/10), a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e seus sindicatos realizaram um novo dia de mobilização nacional por um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) justo, isonomia entre próprios e terceirizados e contra os leilões de petróleo e gás.
As principais manifestações ocorreram nas bases do Litoral Paulista e do Rio de Janeiro, com paralisações, assembleias e protestos de rua que reafirmaram a disposição de luta da categoria.
Trabalhadores da RPBC e UTE conquistam vitória na Intertek e reforçam luta por ACT e isonomia
No Litoral Paulista, os trabalhadores da Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) e da Usina Termelétrica (UTE) Euzébio Rocha iniciaram o dia com atraso na entrada das unidades, em ato convocado pelo Sindipetro-LP e apoiado por sindicatos de outras categorias.
A manifestação teve duplo caráter: de advertência à Petrobras, pela segunda proposta considerada rebaixada; e de celebração pela vitória dos trabalhadores da Intertek, que barraram a tentativa da empresa em impor uma escala 6×1 em substituição ao regime de cinco turmas.
Após forte mobilização, a Intertek recuou da medida e concedeu reajuste de 100% no vale-alimentação e um abono aos empregados, reconhecendo na prática a força da organização sindical.
Dirigentes do Sindipetro-LP destacaram que a luta por isonomia entre trabalhadores próprios e contratados segue central, especialmente no offshore, onde ainda há empresas impondo escalas 14×14, mais desgastantes e menos humanas que a 14×21, realizada pelos empregados próprios.
As falas durante o ato também denunciaram a precarização de condições nas empresa contratadas — com planos de saúde ineficientes, refeitórios inadequados e atrasos salariais — e cobraram da Petrobras maior fiscalização dos contratos.
“Onde houver injustiça e precarização, haverá resistência”, pontuou a direção do Sindipetro-LP em nota.
No Rio de Janeiro, empregados da Petrobras e trabalhadores da Refit protestam contra leilão da ANP e em defesa do emprego
Na capital fluminense, o Sindipetro-RJ realizou uma grande passeata que partiu da sede da entidade, na Avenida Passos, até a sede da Agência Nacional do Petróleo (ANP), na Avenida Rio Branco.
O ato reuniu centenas de petroleiros, incluindo cerca de 400 trabalhadores da Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), que estão com a unidade interditada há quase 30 dias após operação da Receita Federal e da ANP.
A manifestação foi marcada pela união das pautas: enquanto a FNP denunciou os leilões de petróleo e gás como uma afronta à soberania nacional – uma agenda histórica da entidade –, os trabalhadores da Refit, com apoio do Sindipetro-RJ, cobraram a garantia dos seus empregos e uma solução para o impasse que ameaça centenas de famílias.
“Os trabalhadores não podem pagar a conta de fraudes ou disputas fiscais”, afirmou a direção do sindicato em nota, exigindo que o Estado intervenha para garantir a retomada da operação da refinaria e a manutenção dos postos de trabalho.
Mobilização segue crescendo em todo o país
As ações desta quarta-feira reforçam o recado da categoria à direção da Petrobras e ao governo federal: não haverá trégua diante de propostas rebaixadas para o ACT 2025-2026, sem ganho real e que mantenham desigualdades entre próprios e terceirizados.
A FNP e seus sindicatos estão construindo novas mobilizações para as próximas semanas [CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS], e preparam uma greve nacional para o início de novembro, caso a empresa insista em postergar a apresentação de uma nova proposta que atenda as reivindicações da categoria petroleira.



