Após acidente fatal em Vinhedo (SP), aeronaves da companhia seguem apresentando problemas nos voos que atendem os trabalhadores embarcados na Província Petrolífera do Urucu (AM)
A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e o Sindipetro PA/AM/MA/AP intensificaram a cobrança para que a Petrobras rescinda imediatamente o contrato com a companhia aérea Voepass.
Hoje (29 de agosto), às 12 horas, foi realizado um ato na entrada do Edifício Senado (Edisen), no centro do Rio de Janeiro (RJ), sob o lema “Segurança nos voos, já! Fora Voepass de Urucu!”, a palavra de ordem que ressoa entre os trabalhadores petroleiros da região da Amazônia.
O pedido vem na esteira do acidente fatal ocorrido no dia 9 de agosto, quando um avião turboélice ATR-72 da Voepass caiu em Vinhedo (SP). A aeronave transportava 58 passageiros, quatro tripulantes, e fazia a rota Cascavel/PR – Guarulhos/SP.
A Petrobras utiliza, em suas operações na Unidade de Negócios de Produção da Amazônia (UN-AM), aeronaves de modelo ATR-42, uma versão menor da mesma família do avião acidentado, operado pela MAP Linhas Aéreas, também pertencente ao grupo da Passaredo.
O Sindipetro PA/AM/MA/AP fez um levantamento, a partir do site RadarBox, e descobriu que a mesma aeronave acidentada em Vinhedo realizou a rota Manaus-Porto Urucu, para atender os trabalhadores embarcados na Província Petrolífera do Urucu (AM), em 13 de outubro de 2023.
Medidas de segurança e suspensão de voos
Desde o acidente, o Sindipetro PA/AM/MA/AP buscou esclarecimentos junto às gerências de Logística Offshore (LOEP/LOFF) e da UN-AM. Em resposta, logo após o acidente, a Petrobras informou que, como medida de cautela, suspendeu temporariamente as operações dos voos para uma inspeção preventiva adicional aquelas que já eram realizadas regularmente. Essa inspeção foi conduzida pela equipe de Segurança e Competência em Aviação da Petrobras (LOEP/SCA) e UN-AM.
O sindicato solicitou, em ofício, o agendamento urgente de uma reunião para discutir medidas de prevenção imediatas e os desdobramentos do acidente nas operações aéreas.
Nas videoconferências realizadas nos dias 12 e 13 de agosto, a Petrobras confirmou que a aeronave que atende Urucu havia sido submetida a uma inspeção rigorosa e estava apta a retomar os voos em 13 de agosto. No entanto, a aeronave apresentou novos problemas técnicos apenas quatro dias após o retorno das operações.
Falhas recorrentes e reivindicações da categoria petroleira
Em outra reunião realizada após a retomada dos voos Manaus-Porto Urucu, foi relatado um problema na bomba do sistema hidráulico da aeronave no dia 17 de agosto, que resultou na necessidade de troca de um anel o-ring.
O problema foi seguido por uma nova falha em 19 de agosto, o que gerou mais preocupação entre os trabalhadores. O sindicato expressou, novamente, insatisfação com as explicações técnicas fornecidas pela Petrobras e reforçou a necessidade de maior transparência e comunicação com os trabalhadores sobre as condições de segurança dos voos.
O Sindipetro PA/AM/MA/AP e a FNP reivindicam a rescisão imediata do contrato com a Voepass, uma vez que a companhia aérea não demonstra condições operacionais e de segurança adequadas para o transporte aéreo na rota Manaus-Urucu-Carauari ,apresentando problemas recorrentes na manutenção das aeronaves.
Mobilização e indicativo de greve
A situação levou o Sindipetro PA/AM/MA/AP a convocar assembleias para votar a possibilidade de uma greve pela substituição da Voepass na operação dos voos para a Província Petrolífera de Urucu.
O sindicato ressalta à Petrobras a importância de se garantir a segurança e a vida dos trabalhadores próprios e contratados, de modo que a empresa busque com urgência uma alternativa confiável para o transporte aéreo na região.
A diretoria da UN-AM já manifestou o descontentamento com a possibilidade de paralisação, chegando a ordenar a retirada de faixas do sindicato do prédio da sede em Manaus (AM).
No entanto, as faixas foram prontamente recolocadas pelos dirigentes sindicais, que reforçam o apelo por uma ação firme da Petrobras a fim de impedir que novos acidentes venham acontecer.
Ontem (28/08), a FNP protocolou um ofício junto a Petrobras para solicitar o agendamento urgente de uma reunião com a Presidente Magda Chambriard, a fim de discutir o CAOS AÉREO na Amazônia e acordar a imediata rescisão do contrato com a Voepass, tendo em vista a defesa da VIDA DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS.
A mobilização continua até o rompimento do contrato com a Voepass. O Sindipetro PA/AM/MA/AP e a FNP mantêm a sua postura em defesa da segurança dos trabalhadores.



