Em reunião no Edifício Horta Barbosa (RJ), Federação Nacional dos Petroleiros apresentou estudo que aponta defasagem salarial frente à alta rentabilidade, enquanto companhia propõe manter modelo atual com piso de R$ 52 mil e perdas nas subsidiárias
A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que representa os trabalhadores das bases do Sindipetro-RJ, Sindipetro-LP, Sindipetro Amazônia e Sindipetro-AL/SE, se reuniu na última sexta-feira (14/08) com o setor de Recursos Humanos (RH) da Petrobras.
O encontro, realizado no Edifício Horta Barbosa (Edihb), no Rio de Janeiro, teve como foco principal o início das negociações sobre a proposta de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para o biênio 2026/2027, sendo marcado logo de início pela revolta dos trabalhadores e trabalhadoras frente à aparente manutenção da proposta em meio ao crescimento vertiginoso da companhia.
A indignação da categoria encontra respaldo nos números da própria gestão, visto que a proposta consegue ser ainda pior em alguns pontos, pois: promove uma piora drástica para a TBG; mantém a Transpetro sofrendo com o problema da maior incidência de imposto de renda; impõe mais perdas à PBIO; e, na holding, a proposta para quem ganha o piso sequer acompanha a inflação do período.
Diante disso, os dirigentes sindicais foram categóricos ao defender a principal bandeira da categoria para este ciclo, com a seguinte palavra de ordem:
QUEREMOS UMA PLR MÁXIMA, IGUALITÁRIA E INTEGRADA PARA TODOS OS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DAS EMPRESAS QUE COMPÕEM O SISTEMA PETROBRAS.
A situação ganha contornos ainda mais graves com a postura intransigente da gestão, que está exigindo o aceite desta proposta de PLR rebaixada (ou que se aguarde o fim absoluto das negociações) para só então voltar a discutir o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), tema vital que se arrasta sem desfecho desde 2024. Uma chantagem inaceitável e um verdadeiro esculacho com a classe trabalhadora que sustenta essa companhia.
Estudo econômico e defasagem
Para embasar a cobrança e contrapor a proposta da Petrobras, a FNP convidou o Instituto Latino Americano de Estudos Socioeconômicos (Ilaese), que apresentou um estudo que destrinchou os “Índices do Primeiro Semestre de 2026 da Petrobras – Faturamento, Rentabilidade e Remuneração”.
BAIXE AQUI O ESTUDO NA ÍNTEGRA
Os dados públicos expostos pelo Ilaese evidenciaram que a companhia obteve receitas alavancadas pelo crescimento na produção – obra da força de trabalho. No entanto, o estudo apontou uma grave defasagem no gasto com pessoal, mostrando que a remuneração dos trabalhadores não acompanha o mesmo ritmo de crescimento, enquanto a distribuição bilionária de dividendos para os acionistas bate recordes sucessivos.
A apresentação do estudo econômico também revelou que todos os produtos comercializados pela empresa registraram crescimento ao longo do último ano. Esse dado evidencia que os lucros bilionários não estiveram necessariamente atrelados apenas à alta no preço do barril de petróleo tipo Brent, mas também foram impulsionados por outras variáveis operacionais, fator que a própria direção da empresa já admite abertamente em seus comunicados ao mercado.
“Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras. O aumento do volume de produção de óleo e de derivados, combinado ao Brent mais alto, fortaleceu nossa geração de caixa”, aponta a declaração de Fernando Melgarejo, diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras.
A constatação central apresentada pelos dirigentes sindicais ao RH, portanto, é que a massa salarial não cresce na proporção dos resultados grandiosos da companhia apresentados ao mercado.
A proposta da Petrobras para a PLR 2026/2027
Pelo lado da empresa, a gestão apresentou uma proposta que visa renovar o modelo atual de pagamento por mais dois anos, alegando que impedimentos jurídicos, regulatórios e tributários inviabilizam a adoção de uma PLR única para todo o Sistema Petrobras.
Dentro deste formato, a companhia propõe a manutenção de um piso no valor de R$ 52 mil para a categoria, caso o atingimento das metas chegue a 100%.
A proposta também define o teto estipulado para a distribuição dos lucros, que seria equivalente a três remunerações do empregado, limitado ao valor máximo de quatro vezes o piso, o que totaliza R$ 208 mil.
Para que os pagamentos ocorram, o modelo exige que os petroleiros atinjam, no mínimo, 80% do resultado consolidado das metas empresariais, com o limite global do montante fixado em 6,25% do lucro líquido da estatal ou 25% dos dividendos distribuídos aos acionistas.
Outras pautas da categoria
Aproveitando o espaço de diálogo presencial com a gestão da empresa, os dirigentes da FNP não restringiram o debate apenas aos números da remuneração variável. A comitiva sindical aproveitou para cobrar respostas diretas da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sobre outras demandas consideradas emergenciais e muito caras à categoria petroleira.
Entre as urgências colocadas na mesa de negociação estão a busca por uma solução definitiva para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) na Petros e a convocação imediata dos aprovados no cadastro de reserva dos últimos concursos públicos.
Além disso, a FNP cobrou mais uma vez a retomada das tratativas por um novo plano de cargos e salários, que segue como uma exigência prioritária para corrigir a defasagem salarial e de evolução de níveis. Vale ressaltar que muitas dessas distorções são obra da criação do PCR, um plano débil que a empresa tenta, novamente, forçar a migração dos empregados.
Outro ponto crucial colocado em pauta pela FNP foi a preservação do regime de teletrabalho. Os dirigentes reafirmaram a luta contínua dos empregados (sobretudo administrativos) pela manutenção e ampliação dessa modalidade de trabalho, fazendo frente às constantes ameaças da empresa de acabar com esse direito de forma repentina, mesmo antes de expirar a validade do atual Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que garante as regras do regime até 2027.
Grande Ato Nacional: Todos ao Edisen na terça-feira, dia 25/08, 10h!
A paciência se esgotou! Se a direção da Petrobras se recusa a respeitar as pautas da categoria na base do diálogo, o avanço virá por meio da mobilização e da luta dos petroleiros e petroleiras.
Diante de tanta enrolação que afeta diretamente o bolso, a carreira e o futuro daqueles que de fato constroem a riqueza desta companhia, a FNP convoca toda a base petroleira para um grande ato nacional no Edisen, na próxima terça-feira, dia 25 de agosto, congregando a insatisfação com os equacionamentos na Petros, PLR rebaixada, plano de cargos que não avança e demais pautas.
É hora de chacoalhar as estruturas do Edisen, resgatar o brio da nossa categoria e mostrar a força de quem move a maior empresa do Brasil. No dia 25/08, vamos exigir que a Petrobras pague a sua dívida histórica com a Petros.
Os aposentados e pensionistas, que deram seu suor para construir essa estatal, estão sendo asfixiados financeiramente e não aguentam mais pagar. O grito pelo fim dos PEDs, já! Chega de equacionamentos covardes!
Chega também de retrocesso que a empresa tenta impor às carreiras dos petroleiros e petroleiras. Não toleraremos chantagens condicionadas à remuneração, nem à migração forçada para o PCR, que destrói nossos direitos.
Os trabalhadores e trabalhadoras exigem respeito e retomada concreta das tratativas por um novo plano de cargos, carreiras e salários.
Participe! Ocupe o Edisen e fortaleça essa batalha.
Vamos à luta, pois juntos somos mais fortes e poderemos colocar um freio nos ataques da gestão Magda!



