“Magda, menos acionistas, mais ativos, aposentados e pensionistas” – petroleiros realizam ato nacional em frente ao Edisen

Manifestação convocada pela FNP reuniu centenas de trabalhadores no Rio de Janeiro para cobrar o fim dos PEDs na Petros, novo plano de cargos, PLR máxima e linear, defesa do teletrabalho e cumprimento integral do ACT

 

Centenas de petroleiros e petroleiras da ativa, aposentados e pensionistas ocuparam a calçada e o entorno do Edifício Senado (Edisen), uma das sedes administrativas da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (25/08), a partir das 10h. 

Sob o lema “Magda, menos acionista, mais ativo, aposentado e pensionista”, a categoria protestou contra a política de distribuição bilionária e recorde de dividendos aos acionistas privados, que contrasta diretamente com o arrocho, a perda de direitos e o descumprimento de cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) por parte da gestão da empresa.

A manifestação foi convocada pela Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e seus quatro sindicatos filiados — Sindipetro-RJ, Sindipetro-LP, Sindipetro Amazônia e Sindipetro AL/SE. 

O ato ganhou ainda mais força e unidade com a chegada de caravanas organizadas pelo Sindipetro-NF (ligado à FUP), vindas de Campos dos Goytacazes e Macaé, além da presença espontânea de trabalhadores e aposentados vindos voluntariamente de diversas regiões do país. 

Em resposta à forte mobilização dos trabalhadores, a direção da Petrobras cercou as imediações da Avenida Henrique Valadares com um expressivo contingente da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar.

Solução imediata para a Petros e o fim dos equacionamentos

No centro das reivindicações esteve a exigência do fim imediato dos Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs) da Petros. Aposentados e pensionistas denunciaram, em uníssono, o peso insustentável dos descontos mensais nos contracheques, que corroem a renda familiar há quase uma década. 

A categoria exige que a Petrobras assuma suas dívidas históricas com o fundo de pensão e realize o aporte financeiro necessário para estancar a sangria.

Os manifestantes cobraram avanços concretos junto à Comissão Quadripartite e a ida ao Tribunal de Contas da União (TCU) para chancelar a solução definitiva.

“Há um compromisso formal assumido pela presidente Magda Chambriard, no acordo coletivo assinado em dezembro, de protocolar o requerimento para levarmos o aporte financeiro à mediação no TCU. Isso não é favor, é um compromisso que ela e o governo federal têm a obrigação de cumprir”, cobrou Adaedson Costa, secretário-geral da FNP.

 

O impacto da indefinição sobre os aposentados, pensionistas e também o pessoal da ativa foi alertado pelas lideranças sindicais:

“As dívidas que a Petrobras acumula com a Petros estão massacrando nossos aposentados e pensionistas. Essa atual gestão, a exemplo das anteriores, não coloca as cartas na mesa de forma transparente para dizer quando e de quanto será o aporte no PPSP-1. Esse descaso é um alerta direto para quem está na ativa, pois o nosso patrimônio previdenciário está na mesma fundação”, pontuou Eduardo Henrique, também secretário-geral da FNP.

Novo plano de cargos e repúdio à migração forçada ao PCR

A pauta dos trabalhadores da ativa destacou a retomada imediata das negociações por um novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). A categoria repudia a tentativa da direção da companhia de congelar a proposta unitária construída pelas duas federações ao longo de 2024 e protocolada no início de 2025. 

A empresa tem ignorado o documento dos trabalhadores e insiste em empurrar a migração para o Plano de Carreira e Remuneração (PCR), modelo amplamente rejeitado pelas bases.

 

“Nossa luta é intransigente por um plano de cargos digno para todo o Sistema Petrobras, que supere tanto as distorções do PCAC quanto as armadilhas do PCR. Até o momento, a direção da empresa não apresentou qualquer proposta real e segue sem dar garantias de que vai avançar nas reivindicações da categoria”, ressaltou Eduardo Henrique.

 

PLR máxima e igual para todos os empregados de todas empresas do Sistema 

Em meio a lucros e receitas operacionais recordes divulgados pela Petrobras, os manifestantes exigiram uma Participação nos Lucros e Resultados (PLR) correspondente ao esforço da força de trabalho. 

A FNP reivindica uma PLR máxima e igual para todos os trabalhadores e trabalhadoras de todas as empresas que compõem o Sistema Petrobras, sem atrelamento a metas precarizantes ou privilégios para a alta cúpula da companhia.

“A Petrobras segue quebrando recordes estratosféricos de produção graças ao nosso suor e dedicação diária. O volume de lucro é absurdo, mas essa riqueza não chega ao bolso de quem produz. Pelo contrário, vai parar majoritariamente nas mãos de grandes acionistas, a maioria estrangeira. Por isso, a nossa luta pela justa distribuição dos lucros caminha de mãos dadas com a defesa da reestatização total do Sistema Petrobras”, enfatizou Eduardo Henrique.

Em defesa do teletrabalho, respeito ao ACT e ou outros direitos

Do alto do caminhão de som, manifestantes diversos denunciaram as investidas da gestão e o lobby do setor imobiliário contra o regime de teletrabalho. Conquistado e consolidado pela categoria, o modelo híbrido é defendido pelos sindicatos como fundamental para a saúde mental, produtividade e conciliação entre vida pessoal e profissional.

“O direito ao teletrabalho sofre ataques contínuos por parte de setores e gestores retrógrados da empresa, que tentam impor retrocessos injustificados”, denunciou Eduardo Henrique.

Outro ponto de forte indignação foram as seguidas medidas unilaterais de desimplantes de plataformas no offshore — medida arbitrária que já havia sido o estopim para a greve de dezembro do ano passado —, evidenciando o descumprimento de diversos itens do ACT. 

Além disso, a categoria levantou a bandeira de ampliação da escala 14×21 para todos os trabalhadores marítimos e de plataformas (próprios e terceirizados) e o fim imediato da escala abusiva 6×1 nas empresas contratadas prestadoras de serviço no Sistema Petrobras.

 

A força da mobilização e independência de classe

Mesmo com a aproximação das eleições gerais de outubro, a categoria petroleira deixou claro no ato que seus direitos dependem, primordialmente, da força da sua própria mobilização, e não de concessões institucionais ou patronais.

“Não podemos abrir mão da nossa independência de classe enquanto sindicato. Podemos e devemos nos posicionar nas eleições em prol de projetos progressistas, mas é nas ruas e no local de trabalho que garantimos os nossos direitos. Sigamos organizados, vigilantes e unidos”, reforçou Adaedson Costa.

Ao encerrar as falas do ato, o dirigente reforçou a disposição de luta da categoria:

“Não percamos a esperança e nem a combatividade em relação aos PEDs. Já se passaram três anos de desgaste intenso, atos e acampamentos em frente ao Edisen. Mas essa é a história de resistência da classe trabalhadora no Brasil. Não daremos um passo atrás. Seguiremos com firmeza e mobilização até arrancar aquilo que nos pertence por direito”, concluiu Adaedson.

Ao final, já por volta das 14 horas, os petroleiros e petroleiros confraternizaram com churrasco e roda de samba, ainda na calçada do Edisen. 

 

Por Enio Lourenço, jornalista da FNP

 

 

 

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