Diretoria da FNP se une a outras organizações de 10 países para aprovar resoluções de apoio à população de Cuba, Venezuela e do Irã, em defesa do controle estatal da energia, contra privatizações e reformas trabalhistas
O Congresso Energético e de Hidrocarbonetos das Américas, realizado na Cidade do Panamá (capital do país homônimo) pela Federação Internacional dos Trabalhadores do Setor Energético e Hidrocarbonetos da América Latina e do Caribe (Fitehlyc), deu um passo decisivo em relação à organização da categoria na América Latina e no Caribe.
O encontro, que reuniu dirigentes e entidades de 10 países da região, reafirmou a importância da Fitehlyc como ferramenta essencial para unificar petroleiros e trabalhadores do setor de energia contra a exploração e o avanço neoliberal na região, promovendo o internacionalismo operário como resposta à crise global.
A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) marcou presença ativa com uma delegação representativa de seus sindicatos. Estiveram presentes Adaedson Costa (secretário-geral da FNP e diretor do Sindipetro-LP), Eduardo Henrique (secretário-geral da FNP e diretor do Sindipetro-RJ), Bruno Terribas (diretor da FNP e do Sindipetro Amazônia) e Luciano Alves (diretor da FNP e do Sindipetro AL/SE).
A participação da entidade reforçou o protagonismo brasileiro nos debates sobre a soberania energética e a defesa dos direitos dos trabalhadores no continente.
Durante o evento, discutiu-se a crise estrutural do capitalismo e a transformação da região em um território estratégico de disputa por hidrocarbonetos e minerais críticos.

O congresso
Os trabalho se iniciaram na terça-feira (17/03), com foco na diversidade e inclusão, por meio de mesas dedicadas à juventude, às mulheres e à intersecionalidade.
Já na quarta-feira (18/03), os delegados discutiram o que deve ser uma “Transição Energética Justa” e a importância do controle estatal sobre os recursos estratégicos.
A geopolítica e os tratados comerciais também foram analisados em painéis temáticos sob a ótica da soberania dos povos, reforçando a necessidade de uma visão regional integrada e resistente às pressões externas.
No encerramento (19/03), as discussões se voltaram para o fortalecimento da unidade sindical para além das fronteiras nacionais e os desafios da classe trabalhadora perante as transformações tecnológicas no mundo do trabalho.

As resoluções
O documento final estabeleceu diretrizes claras para a defesa da soberania energética e convocou a categoria a assumir um papel protagonista na luta contra a expropriação de recursos e pela paz com justiça social em todo o continente.
A resolução definitiva denuncia ainda a intervenção de potências imperialistas, especialmente dos Estados Unidos, que utilizam mecanismos de guerra não convencionais, sanções e desestabilização política para assegurar o controle de recursos que deveriam pertencer exclusivamente aos povos.
Entre as principais decisões, o congresso ratificou que a energia é um bem estratégico fundamental para a vida e a soberania nacional, devendo permanecer sob controle estatal e social.
Os delegados aprovaram uma frente de luta contra as privatizações e os leilões de petróleo, denunciando as reformas neoliberais que buscam debilitar os Estados nacionais e entregar riquezas naturais a interesses transnacionais.
A Fitehlyc também expressou solidariedade ativa aos trabalhadores e povos da Venezuela, Cuba e Irã, que enfrentam sanções econômicas e bloqueios financeiros agressivos.
O documento enfatiza que esse apoio foca na defesa da autodeterminação dos povos e no combate ao impacto humanitário das medidas coercitivas, sem que isso signifique um endosso automático aos governos ou regimes políticos locais.
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No campo dos direitos sociais, as organizações deliberaram pela intensificação da campanha continental contra as reformas trabalhistas e previdenciárias que precarizam a vida da classe trabalhadora em toda a região.
A resolução convoca os sindicatos a assumirem o protagonismo na resistência contra a eliminação de direitos e contra a perseguição de dirigentes que defendem o patrimônio público e a soberania.
Como passo concreto para a unidade de ação, foi definida a criação de um dia continental de mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras da energia.
A data, a ser definida, visa sincronizar as lutas locais em um movimento regional coordenado contra a ingerência estrangeira e pela autodeterminação energética, transformando a solidariedade operária em ferramenta prática de resistência e mobilização de massas.
Além das entidades e dos dirigentes, diversas personalidades públicas, como a ex-ministra chilena Jeannette Jara e deputado federal mexicano Adrian Gonzalez Naveda, marcaram presença no encontro.
Sob a consigna de que “não há paz verdadeira sem justiça social”, o congresso se encerrou reafirmando que a luta pela energia é, hoje, indissociável da luta pela paz e contra toda forma de dominação imperialista na América Latina e no Caribe.



