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Petroleiros da Amazônia comemoram 60 anos do Sindipetro PA/AM/MA/AP

Para comemorar a marca, foi lançado um site especial para resgatar a memória de lutas da entidade

02/02/2022
Petroleiros da Amazônia comemoram 60 anos do Sindipetro PA/AM/MA/AP

Um dos mais históricos sindicatos da categoria petroleira, fundador da FNP, chega ao sexagésimo aniversário. Nesta data, em 1962, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Extração do Petróleo nos Estados do Pará, Amazonas e Maranhão, hoje Sindipetro PA/AM/MA/AP, recebia sua Carta Sindical.

Para comemorar a marca, foi lançado um site especial para resgatar a memória de lutas da entidade, que pode ser acessado por meio do endereço 60anos.sindipetroamazonia.org.br. A página apresenta registros históricos desde o início da organização, uma linha do tempo com os fatos mais marcantes, acervo com documentos inéditos, além de fotos e vídeos que retratam as lutas dos trabalhadores da indústria do petróleo e gás.

Parte do material disponível no site é resultado do projeto de extensão “Trabalhadores e Suas Lutas no Sindipetro PA/AM/MA/AP”, parceria entre o Sindicato e a Faculdade de História/IFCH da UFPA e foi iniciado em agosto de 2020. Desde então, tem sido realizada a higienização, organização, catalogação e digitalização da documentação histórica existente no Sindipetro, como boletins informativos, acervo fotográfico, atas de assembleias, etc.

Nas galerias de fotos, que cobrem boa parte dos 60 anos do Sindicato, aparecem imagens de álbuns físicos digitalizados pela primeira vez, com atividades das diversas fases da entidade. Também estão disponibilizados no site divulgações sobre as ações da categoria em matérias de televisão, e reportagens em jornais e revistas desde os anos 1960.

Outro destaque da página são documentos sigilosos produzidos pela Divisão de Informações (Divin) da Petrobras, entregues pela empresa em 2013 à custódia do Arquivo Nacional. O acervo cobre um período de 30 anos (1962-1992), englobando, portanto, os anos da ditadura civil-militar (1964-1985), durante os quais a Divin era encarregada de fazer investigações políticas dos empregados da Petrobras.  Foram encontrados dezenas de registros referentes às atividades do Sindipetro PA/AM/MA/AP e seus dirigentes, especialmente no período seguinte ao golpe militar de 1964 e nos primeiros anos da redemocratização do país.

Em “Memorial dos Fundadores - O começo da nossa história”, é reconstituída a trajetória desde a fundação da Associação (posteriormente Sindicato) até o período do golpe militar, prestando a devida homenagem a todos os(as) companheiros(as) perseguidos por defenderem a Petrobras e a soberania nacional com o monopólio estatal do petróleo e gás. Os destaques dessa longa trajetória podem ser conferidos na “Linha do Tempo”.

60 anos de lutas dos petroleiros da Amazônia

Estabelecida a Petrobras, milhares de brasileiros e brasileiras passaram a realizar grandes campanhas exploratórias em toda a região amazônica em busca de reservas de petróleo e gás que permitissem a soberania energética de nosso país. Contra eles, ontem como hoje, estiveram os grupos entreguistas submissos aos capitalistas estrangeiros. Os mesmos que através dos meios de comunicação comerciais sempre duvidaram da capacidade do Brasil ter o controle de seus recursos naturais.

Neste contexto, os trabalhadores petroleiros empunharam, desde os anos 1960, as bandeiras nacionalistas e populares por uma Petrobras a serviço da classe trabalhadora deste país, pelo monopólio estatal e condições de trabalho seguras e dignas a seus operários.

Com o golpe de 1964, a diretoria do Sindipetro da Amazônia sofreu com a repressão da ditadura civil-militar que se abateu sobre o país. Seus líderes foram presos, demitidos e banidos da vida política e social do país. Somente com a abertura política puderam retornar à empresa e às lutas, desempenhando um importante papel na conquista da Anistia e do retorno das liberdades democráticas.

Nos anos 80, ao passo que a Petrobras se consolidava na Amazônia com a descoberta e início de produção da Província de Urucu (AM), a categoria voltava a lutar e o Sindipetro PA/AM/MA/AP desempenhou um importante papel na reorganização do movimento sindical no Pará e no Amazonas. Sua sede na capital paraense se tornou espaço de efervescência política e importantes lideranças das oposições sindicais CUTistas se forjaram militando com os(as) petroleiros(as).

Na década de 1990, durante os governos Collor, Itamar e FHC a categoria esteve na vanguarda da resistência aos projetos neoliberais. Infelizmente, entre eles, a quebra do monopólio em 97. Destaque para a histórica greve de 31 dias em maio de 95, que demonstrou a combatividade e organização dos petroleiros e petroleiras.

Nos governos seguintes, o Sindipetro seguiu na defesa da linha classista, independente da característica do mandatário do momento. Assim, participou desde o primeiro momento da fundação da então Coordenação Nacional de Lutas (hoje CSP-Conlutas) e da Frente Nacional dos Petroleiros (FNP - hoje Federação), apoiando a construção de novas ferramentas para a reorganização da classe trabalhadora no país.

Na atualidade, confrontados com as ameaças da privatização, em especial da Província de Urucu, nossa maior reserva terrestre de petróleo e gás do país, o Sindipetro segue sendo um bastião na defesa do patrimônio do povo, contra a política de preços da direção bolsonarista da Petrobras e se somando a todas as lutas gerais da classe trabalhadora na região amazônica.

Para o futuro próximo, a exploração das gigantes reservas de petróleo da Margem Equatorial imporá um importante debate socioambiental que deve envolver um amplo rol de partes interessadas. A participação da categoria petroleira será fundamental neste processo, colaborando com seu conhecimento especializado na formulação de políticas que levem à transição energética, tão necessária para este século.

Vida longa ao Sindicato dos Petroleiros do Pará, Amazonas, Maranhão e Amapá e à categoria petroleira da Amazônia nos seus 60 anos! Pela retomada do monopólio estatal do petróleo e gás, com uma Petrobras 100% estatal sob controle da classe trabalhadora. O povo brasileiro pode e deve ter acesso a combustíveis e gás por preços adequados: abaixo o Preço de Paridade de Importação (PPI), não às privatizações e reversão daquelas já realizadas!

Fonte: Sindicato-PA/AM/MA/AP

Tags luta sindicato

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