Para proteger filhos, Bolsonaro aposta alto e abre a maior crise de seu governo

O anúncio de demissão do ministro Sérgio Moro, na última sexta-feira (24), certamente foi o maior baque do governo Bolsonaro até agora.

Em plena pandemia de coronavírus, o episódio joga o governo Bolsonaro numa crise inédita, corroendo boa parte dos apoiadores que votaram no presidente em nome de um suposto combate à corrupção.

Mas, o que fez Bolsonaro esticar tanto a corda a ponto de chegar a essa situação? O que é tão importante para ele a ponto de arriscar tão alto?

A resposta é simples: seus três filhos, que estão arrolados em sérias investigações da Polícia Federal.

Fake News e rachadinha
O desespero de Bolsonaro em afastar o diretor-geral da PF está relacionado ao avanço das investigações envolvendo o “gabinete do ódio” na CPI das Fake News, e suas implicações contra o filho 02 do presidente, o vereador do RJ Carlos Bolsonaro. No assunto Fake news, até o filho 03, o deputado federal Eduardo Bolsonaro estaria envolvido, já que foi identificado que parte das notícias falsas saíram do computador de um de seus assessores, de dentro do seu gabinete.

Além disso, há ainda o desgaste do caso Queiroz e o esquema de rachadinhas no gabinete de seu outro filho, o senador Flávio Bolsonaro. Nesse último caso, com fortes indícios de envolvimento com as milícias.

Segundo o Coaf (atual Unidade de Inteligência Financeira), Queiroz chegou a receber 438 transferências e depósitos em suas contas, totalizando cerca de R$ 7 milhões entre os anos de 2014 e 2017. Valores incompatíveis com seu patrimônio e ocupação. Para o Ministério Público do Rio de Janeiro, o dinheiro foi destinado à construção ilegal de prédios erguidos pela milícia usando dinheiro público.

A investigação preocupa a família Bolsonaro. Tanto que os advogados do senador já pediram por nove vezes que o procedimento seja suspenso. Todos os pedidos foram negados.

Em sua fala, Moro atribuiu sua saída a pressões que o presidente estaria exercendo sobre a Polícia Federal, e que ele classificou de "inadequadas". Segundo o agora ex-ministro, Bolsonaro pressionava para colocar no comando da PF alguém de sua confiança que pudesse lhe dar informações sobre investigações em andamento, o que é totalmente irregular.

Além disso, ele relacionou uma série de crimes cometidos por Bolsonaro, que vão desde crime de responsabilidade e obstrução de Justiça, ao interferir nas investigações contra seu governo e pedir acesso a documentos sigilosos de inteligência, até falsidade ideológica ao colocar a assinatura de Moro na exoneração do diretor-geral da PF.

Oportunista
Sergio Moro está longe de ser um herói. Enquanto juiz, cometeu uma série de irregularidades na operação Lava Jato, que possibilitaram o golpe contra a presidente Dilma e levaram à prisão irregular do ex-presidente Lula. 

Por sua atuação política na Lava Jato, Moro é responsável pela eleição de Bolsonaro e, durante todo tempo em que ocupou cadeira no Ministério da Justiça, se calou diante das inúmeras afrontas do presidente à democracia. 

Tudo indica que só se rebelou agora porque se viu contrariado e para preservar sua posição nas eleições de 2022, junto à direita que se opõe a Bolsonaro. 

“No momento em que a população é mais afetada pela crise provocada pelo coronavírus, o governo se vê às voltas com mais um esquema grave de corrupção. Bolsonaro é inimigo da população e não tem condições de comandar o país”, disse o presidente do Sindipetro-SJC, Rafael Prado.

Fonte: Sindipetro-SJC

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