FNP critica diferença entre distribuição de dividendos aos acionistas e pagamento da PLR à força de trabalho, além da disparidade interna entre o que será pago ao chão de fábrica e o alto escalão
A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) se reuniu com a diretoria da Petrobras na última segunda-feira (13/04) para discutir os detalhes finais da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao exercício de 2025.
O encontro ratificou que a companhia atingiu o patamar máximo de desempenho, garantindo o pagamento integral aos trabalhadores e trabalhadoras, previsto no acordo coletivo.
Desempenho corporativo e valores
Todos os cinco indicadores corporativos da Petrobras — que incluem metas de sustentabilidade (água doce e emissões de gases), produção de óleo e gás, produtividade per capita e fluxo de caixa — atingiram 100% de aproveitamento em 2025.
Com um lucro líquido registrado de R$ 110 bilhões, a estrutura de pagamentos ficou definida da seguinte forma:
- Piso: R$ 52.000,00 para as menores remunerações.
- Teto: R$ 208.000,00 (limitado a três remunerações) para o nível executivo.
A liberação dos valores depende, agora, da aprovação da Assembleia Geral Ordinária (AGO), marcada para amanhã, 16 de abril, que oficializará o teto da PLR e a distribuição de dividendos aos acionistas.
Subsidiárias
Transpetro: Assim como a holding, a subsidiária atingiu 100% das metas e superou as expectativas financeiras. O pagamento, no entanto, será uma composição entre 18% de PLR e o restante via PPP (Prêmio por Performance).
TBG: O pagamento aguarda a deliberação da Assembleia Geral Ordinária agendada para o dia 27 de maio.
PBio: Devido ao histórico de prejuízos acumulados, a empresa não possui programa de PLR aprovado. Está em estudo a implementação de outro programa de remuneração variável, cujos indicadores devem ser divulgados em breve.
Críticas e reivindicações
Apesar dos números robustos, os dirigentes da FNP adotaram um tom crítico durante a reunião.
Ainda que a Petrobras destaque este como o maior volume de remuneração variável de sua história, o montante destinado aos trabalhadores representa cerca de 8,5% do total que será distribuído aos acionistas, aproximadamente R$ 42 bilhões.
Esse percentual situa-se significativamente abaixo do limite de 25% previsto na legislação, evidenciando uma disparidade entre a valorização do capital e a participação nos resultados concedidos a quem realmente produz as riquezas da companhia.
“Queremos uma Petrobras que valorize a sua força de trabalho, como valoriza os seus acionistas”, destacou Adaedson Costa, secretário-geral da FNP.
A Federação Nacional dos Petroleiros também questionou a desigualdade na distribuição da PLR, defendendo uma divisão mais equânime entre os diferentes níveis funcionais, aqueles que estão na base e no teto.
Outro ponto de cobrança foi uma maior integração entre a Transpetro e a Petrobras holding.
Calendário de Pagamentos
As datas previstas para o crédito dos valores aos trabalhadores são:
- Transpetro: 29 de maio.
- Petrobras (Holding): 30 de maio.
- TBG: Diretrizes a serem anunciadas após 27 de maio.
- PBio: Calendário a definir imediatamente após a aprovação do programa de remuneração variável.



