PLR 2026-2027 | FNP indica rejeição crítica à proposta da Petrobras, com assembleias para autorização da assinatura conforme quadro nacional

Nova oferta de Participação nos Lucros e Resultados prevê aumento nos tetos e pisos, mas valores não refletem os lucros recordes da companhia e a distribuição bilionária de dividendos; assembleias acontecerão até 15 de outubro

 

A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) orienta a rejeição crítica à nova proposta de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) 2026-2027, apresentada pelas empresas do Sistema Petrobras em reuniões realizadas nos dias 21 e 22 de setembro, no Rio de Janeiro.

Para a FNP, os valores oferecidos estão aquém do esforço dos trabalhadores e trabalhadoras, e não refletem o alto lucro obtido e a grande distribuição de dividendos aos acionistas nos últimos relatórios da companhia.

Apesar da recomendação de recusa nas assembleias, a FNP mantém a possibilidade de autorizar a assinatura do acordo, a depender de como irá se configurar o cenário nacional das aprovações na categoria, uma vez que a outra federação  indicou a aceitação.

A FNP entende que em um cenário de altos lucros  tem que haver uma busca por uma PLR que valorize os esforços de todos os trabalhadores e trabalhadoras do sistema.

A Federação Nacional dos Petroleiros  alerta que a luta também deve se dar no âmbito das estatais não-dependentes, haja visto a frequência com que a Petrobras tem usado as resoluções e orientações da Secretaria de Governança e Coordenação das Empresas Estatais (Sest) para justificar ganhos menores à categoria.

Ou seja, temos uma legislação que permite haver participação nos lucros, mas a reguladora (Sest) permite ao máximo três (03) remunerações independente do tamanho deste lucro. Logo, os trabalhadores ficam sem ter participação real na riqueza que produziram, colocando a sua saúde e vida em risco no dia a dia do trabalho, enquanto os acionistas se fartam com os altos lucros.

Assim sendo, mesmo verificando pequenos avanços na proposta de PLR, precisamos tecer a crítica e conscientizar a categoria de que merecemos mais. Devemos ser mais valorizados pela Petrobras!

Diante do contexto acima relatado, somente a rejeição é cabível.

 

A proposta da Petrobras

A última proposta da Petrobras, apresentada como definitiva, prevê a renovação do acordo de PLR por mais dois anos. Para o exercício de 2026, a empresa oferece um piso de R$55 mil e um teto de R$220 mil. Para 2027, o valor do piso subiria para R$58 mil, com o teto alcançando R$232 mil.

A companhia ressalta que esse aumento do piso se dá acima da inflação projetada para o período.

Os critérios de pagamento estabelecem que o recebimento será proporcional à escala de atingimento de indicadores, iniciando-se a partir de 80% do resultado consolidado. Caso 100% das metas sejam alcançadas, os limites individuais de pagamento serão de três (03) remunerações ou quatro vezes o valor do piso, prevalecendo o menor valor.

A proposta inclui ainda a previsão de adiantamento da PLR nos meses de janeiro de 2027 e 2028, mas este benefício será restrito aos empregados de bases sindicais que assinarem o acordo até o dia 16 de outubro de 2026.

 

Desigualdade nas subsidiárias e avanço insuficiente

A FNP observa que essa proposta de PLR apresenta falhas estruturais, pois não houve avanço necessário em relação ao acordo passado, mesmo com a Petrobras registrando lucros significativamente maiores.

Outro ponto crítico destacado pela Federação Nacional dos Petroleiros é a manutenção da falta de isonomia entre os empregados da holding e os das subsidiárias.

Empresas como PBIO e a TBG, por exemplo, iniciaram as negociações em patamares considerados inaceitáveis, perpetuando também desigualdades na Transpetro, como parte do pagamento ser via PPP e possuir maior incidência do Imposto de Renda.

 

Autonomia sindical e a busca pela unidade na luta

A perspectiva da FNP para as assembleias que irão deliberar sobre a PLR 2026-2027 — que devem ocorrer em assembleias até o dia 15 de outubro — busca preservar o diálogo e a autonomia de cada sindicato filiado.

A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) lamenta indicativos divergentes entre as Federações e a falta de unidade em uma luta tão importante da categoria. Mas sabemos da importância das eleições gerais no país e sabemos ainda mais o compromisso com cada trabalhadora e trabalhador da Petrobras.

Diante de tensões que orbitam a categoria nesse momento, a FNP indica a rejeição crítica para forçar uma nova proposta de remuneração variável que seja mais justa e compatível ao que todos produziram no último ano. Entretanto, resguarda a possibilidade de adesão ao acordo, caso o quadro nacional inviabilize o prosseguimento da negociação.

 

Soberania nacional

A FNP enquadra as negociações de remuneração variável como um exemplo didático de luta em defesa de uma Petrobras 100% estatal e a serviço do povo brasileiro.

As riquezas geradas pelos trabalhadores e trabalhadoras da maior empresa do país devem ser distribuídas àqueles que forjaram tais ganhos, não a acionistas estrangeiros.

Os lucros da Petrobras também devem ser reinvestidos em território nacional, fortalecendo a nossa soberania em um momento de instabilidade geopolítica global.

Nesse contexto, a Federação Nacional dos Petroleiros critica com firmeza o anseio de privatização do candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro, que atua a serviço de Donald Trump e do imperialismo estadunidense, que mais uma vez mira a Petrobras com um dos seus alvos de destruição e rapina.

 

Seguimos na luta!

Fique atento e atenta ao calendário de assembleias do seu sindicato.

FNP, a luta é pra valer!   

 

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