Vazamento no mar e na Fafen: a ameaça do desinvestimento na Petrobrás em Sergipe

Em pouco mais de um dia ocorreu dois vazamentos na Petrobrás em Sergipe. Um foi no mar, madrugada do dia 23, no duto de óleo e gás da Plataforma de Camorim, sudoeste da Bacia Sergipe/Alagoas, em frente aos municípios de Aracaju e Barra dos Coqueiros.  O outro foi um vazamento de ácido na recente planta de Sulfato de Amônio, da Fábrica de Fertiliantes Nitrogenados de Sergipe, FAFEN-SE, nesta sexta, 24.

A proximidade desses incidentes não é coincidência. São problemas que o Sindipetro AL/SE tem denunciado há muito tempo, diante da falta de investimentos nas áreas de manutenção e de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS). Portanto, não é por desconhecimento. É um relapso proposital, reflexo da política de desinvestimento do governo, da alta administração da Petrobrás e dos grandes acionistas privados. Além de se desfazerem de ativos, retiram recursos de setores importantes.

Vazamento de óleo e gás no mar

Aconteceu na madrugada dessa quinta, 23, um furo no duto de 16 polegadas da PCM5 que transporta óleo e gás. O vazamento, com um volume de 7 metro cúbicos, foi identificado às 8h30 e controlado no mar antes que atingisse a praia.

O diretor do Sindipetro AL/SE, Stoessel Chagas (Toeta), disse que o SMS da Petrobrás informou que o duto já foi despressurizado e drenado para retirar todo o óleo e o gás, para colocar uma braçadeira no local do furo. Toeta explica que essa braçadeira é uma espécie de remendo, o qual os trabalhadores denominam como bacalhau.

Uma equipe sobrevoou o local para averiguar se havia algum volume vazado em outro local. Estão também fazendo o teste de estanqueidade, para verificar se tem outros furos no duto.

Além da plataforma PCN5, a PCN6, PCN8 e PCN9, foram fechadas, pois também estão interligadas a essa tubulação. A produção foi interrompida até que sejam concluídos todos os reparos.

O problema de manutenção das plataformas tem sido denunciado sistematicamente pelo Sindipetro. “Diante dessas denúncias e das nossas exigências foi criada uma comissão tripartite, com representantes do sindicato, do Ministério Público do Trabalho e Emprego (MTE), e da Petrobrás. Conseguimos obrigar a empresa a sanar alguns problemas que colocam em risco a vida dos trabalhadores, porém ainda existem muitas demandas, como a necessidade constante de manutenção”. (Saiba mais:http://sindipetroalse.org.br/noticia/860/plataformas-interditadas-culpa-do-desinvestimento).

Vazamento de ácido na Fafen

Nesta sexta, 24, foi identificado um vazamento de ácido na bomba 441 da Planta de Sulfato e Amônio. O vazamento foi contido, porém a situação no local continua com altos riscos e outros poderão acontecer.

Essa planta é um ativo novo da Petrobrás na Fafen. Desde a fase inicial de construção o Sindipetro AL/SE já identificou diversas irregularidades, porém foram ignoradas pela gerência. Consequência disso, é que no local do vazamento, por não haver brigada de incêndio,o operador queria estancar a válvula sem as condições de segurança necessárias. Sem a devida proteção, o contato com os elementos químicos desse ácido pode matar ou causar muitos danos, dentre eles graves queimaduras no corpo.

Além isso, falta qualificação do pessoal e as condições de trabalho são precárias. Isso é consequência da terceirização, que abrange toda a produção, desde o carregamento de ácido.

“Temos insistido e brigado pela contratação de pelo menos mais um técnico de segurança. Porém, nem essa, nem as demais exigências do sindicato foram atendidas. A situação é que a vida dos trabalhadores da Fafen está sob ameaça de possíveis tragédias nessa planta que podem ser evitadas. A única explicação para que a administração da Petrobrás continue ignorando a necessidade de aplicar as medidas de segurança que já foram apontadas, é porque existe essa política de desinvestimento. Ou seja, não direcionam recursos para isso porque as prioridades são outras”, afirma Toeta.

Desinvestimento é privatização

A partir da venda de ativos da Petrobrás, o atual presidente da empresa, Ademir Bendine, anunciou que o plano é desinvestir US$13,7 bilhões de dólares em dois anos. Bendine já anunciou a venda de usinas termelétricas, distribuidoras de gás, campos de petróleo e postos de gasolina da BR Distribuidora, pertencente à Petrobrás.

Com o objetivo de vender o patrimônio da empresa rumo a privatização total, com essa política de desinvestimento, o governo, a alta administração da Petrobrás e os grandes acionistas privados reduzem a produção, desvalorizam os ativos e entregam para a iniciativa privada a um preço de banana.

Consequentemente, reduzem investimentos de áreas importantes, que não só afetam a produção, como ameaçam o meio ambiente e colocam em risco a vida, a segurança e a saúde de trabalhadores e também da população, como poderia ter acontecido no caso desses dois últimos vazamentos.

Fonte: Sindipetro-AL/SE

Está gostando do conteúdo? Compartilhe!

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp