Nova campanha contra Belo Monte pede a clientes que pressionem bancos

Camila Queiroz – Adital

Como fazer para evitar a concretização do projeto hidrelétrico de Belo Monte? O Movimento Xingu Vivo para Sempre e organizações parceiras perceberam que uma maneira eficaz e possível para a maioria dos brasileiros/as é pressionar o banco do qual é cliente para que não financie a hidrelétrica.

Diante disso, foi lançada ontem (8) a campanha Belo Monte: com meu dinheiro não!. “O que o seu banco tem a ver com a expulsão de mais de 20 mil pessoas de suas casas e terras, o alagamento de uma área maior que a cidade de Curitiba e a destruição de um rio na Amazônia? Tudo. Ou nada. Depende de você?, afirma o movimento.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ? cujo financiamento de Belo Monte será o maior de sua história ?, pretende compartilhar os contratos de empréstimos com outros bancos, privados e públicos, para minimizar riscos. Estes bancos repassarão os recursos ao consórcio responsável pela construção de Belo Monte, Norte Energia S.A.

Ocorre que grande parte dos recursos do BNDES é oriunda de fontes como Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e Programa de Integração Social (PIS/PASEP), ou seja, é o dinheiro do trabalhador/a que acabaria, no final das contas, financiando este desrespeito às comunidades ribeirinhas e indígenas, assim como ao meio ambiente.

Para que a população fique bem esclarecida do cenário, o movimento preparou uma página para a campanha, contendo um infográfico bastante didático sobre como o dinheiro do contribuinte poderá ser usado, à sua revelia, para financiar Belo Monte.

Além disso, a página contém um texto para enviar por e-mail aos bancos que poderão compartilhar financiamento de Belo Monte – Banco do Brasil, Bradesco, Itaú/Unibanco e Santander. Basta clicar no nome do banco do qual é cliente e enviar o e-mail com o assunto “Não Utilize o Meu Dinheiro Para Financiar Belo Monte”.

“Esse empreendimento é caracterizado por graves violações de direitos humanos, irregularidades no processo de licenciamento ambiental e incertezas sobre sua viabilidade econômica, conforme já alertaram renomados cientistas, lideranças indígenas e organizações da sociedade civil, a exemplo da recente notificação extrajudicial assinada por mais de 150 entidades, enviada em outubro deste ano?, argumenta o texto.

Coordenadora da campanha, Maíra Irigaray destaca a utilização, neste momento, de “armas cibernéticas? no combate a Belo Monte. O internauta pode pressionar por várias outras “frentes? depois do e-mail ? ligar para o SAC do seu banco, fazer uma reclamação, anotando o protocolo da mesma; escrever nas páginas dos bancos no facebook e compartilhar os banners no mural; enviar mensagens por twitter e participar dos protestos em suas respectivas cidades, pois a próxima semana será dedicada à luta contra Belo Monte.

A ativista declarou ainda que a campanha deve ganhar formato nacional, uma vez que o dinheiro a ser utilizado na hidrelétrica pertence a todos os brasileiros/as.

“Achamos que a partir do momento que as pessoas começarem a entender que o dinheiro dela, que poderia e deveria estar sendo investido em mais escolas, hospitais, infraestrutura, esta sendo usado para financiar obras destrutivas como a de Belo Monte, essas pessoas vão querer opinar e questionar este tema?, aponta.

Alardeada como a terceira maior hidrelétrica do mundo, Belo Monte tem custo previsto para 26 bilhões de reais, porém poderá ultrapassar os 30 bilhões. De acordo com o Movimento Xingu Vivo, a maioria das empresas participantes do consórcio Norte Energia S.A. financia campanhas políticas.

Entre os impactos socioambientais, estima-se que a mega usina alagará uma área de aproximadamente 640 km2 e causará a seca de um trecho de 100 quilômetros do rio Xingu, na região conhecida como Volta Grande. Essa consequência é tida como ainda mais grave que as inundações, uma vez que impossibilitará a sobrevivência de ribeirinhos, pescadores, agricultores e indígenas, que ficarão sem acesso à água, a peixes ou a meios de transporte.

Para participar, acesse o link http://www.xinguvivo.org.br/participe/

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