Para encobrir assédios, Petrobrás adia pesquisa de ambiência

O adiamento da Pesquisa de Ambiência Organizacional, que geralmente é realizada nos meses de janeiro e fevereiro pela Petrobrás, foi recebido com surpresa pela categoria, que agora terá que aguardar até o final de 2016 para opinar sobre sua visão sobre a situação da Companhia e as relações de trabalho por meio de um instrumento oficial da empresa. Segundo comunicado enviado pela empresa via Petronet, a pesquisa será realizada nos meses de novembro e dezembro do ano que vem.

Mesmo sendo uma ferramenta já desacreditada por grande parte da força de trabalho, por não resultar em ações concretas de melhoria da ambiência no trabalho, a pesquisa acaba por refletir, ainda que de forma distorcida, a visão dos trabalhadores sobre os superiores imediatos e a empresa.

Logo que foi divulgada petroleiros de todo país comentaram na nota da empresa suas desconfianças sobre as intenções de adiar o levantamento. Segundo a Petrobrás, o adiamento se deu ?em função dos processos de reestruturação que já estão em andamento ou ocorrerão nos próximos meses?.

Alguns comentários descrevem bem o interesse dos trabalhadores em resolver os problemas da companhia, do ponto de vista de quem conhece o que se passa na empresa: ?Deixe com a palavra aquele que faz a Petrobras ser grande?, ?a pesquisa sendo realizada agora no começo poderia servir como mais um ponto de análise dentro da proposta de reestruturação?, ?a aplicação da Pesquisa de Ambiência Corporativa deveria ser mantida com periodicidade de 12 meses independentemente de quaisquer processos de reestruturação na Companhia?, foram algumas das mensagens enviadas pela categoria.

Não há duvidas de que o resultado no começo do ano seriam insatisfatório para a direção da Companhia, ainda mais depois de sairmos de uma greve intensa, em que a principal arma dos gestores da empresa para impedir o movimento foi o assédio.

Em nossa opinião, se houvesse interesse real em corrigir os erros na empresa, causada principalmente pela má gestão da alta cúpula do Sistema Petrobrás, seria feita uma pesquisa ainda mais ampliada, capaz de fornecer à empresa e trabalhadores ferramentas necessárias para concretizar alternativas.

Para o Sindipetro-LP, a política de adiamento da pesquisa de ambiência acaba por incentivar o assédio moral, na medida que nem a uma avaliação corporativa as ?lideranças? serão submetidas.

Com essa medida, a empresa dá um recado claro: enquanto busca ouvir cada vez mais acionistas que só têm interesse em se apropriar de nossas riquezas a qualquer custo, quer calar a força de trabalho, que é a verdadeira responsável pela produção destas riquezas e pela quebra de cada vez mais recordes de produção de petróleo nacional.

Fonte: Sindipetro-LP

Está gostando do conteúdo? Compartilhe!

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp