PM invade Pinheirinho e cria cenário de guerra em ocupação

A Polícia Militar invadiu a ocupação do Pinheirinho na manhã de ontem, 22, na zona sul de São José dos Campos/SP, mesmo contra decisão do TRF (Tribunal Regional Federal). A ação da PM isolou parte da zona sul da cidade, prendeu os moradores da ocupação dentro das casas do acampamento e avançou sobre o bairro Campo dos Alemães e parte do Residencial União, que foram sitiados.

A Tropa de Choque e a Rota fizeram parte do contingente de dois mil policiais militares que avançou sobre a ocupação, disparando tiros de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Aliás, as bombas foram usadas sem economia tanto dentro como fora do Pinheirinho. Moradores da ocupação que estavam fora do local e moradores do Campo dos Alemães que se aglomeravam para ver a ação da PM foram agredidos com tiros de bala de borracha e muitas bombas de efeito moral. A tropa de choque da PM avançou sobre a população e encurralou os moradores dentro do Campo dos Alemães. Foi uma ação violenta. Os moradores ficaram presos dentro de casa. As bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas, inclusive, sobre as casas. A população que estava aglomerada nas ruas foi alvo das bombas que vinham por cima e pela frente da tropa de choque. Equipes de TV, fotógrafos, pedestres ficaram acuados entre a tropa e as bombas de efeito moral.

Enquanto isso, dentro do acampamento, as pessoas foram impedidas de sair de suas casas sob a ameaça de armas da PM. Toda a região foi sitiada. Após muitas horas de ação, a PM prendeu gratuitamente várias pessoas, deixou vários feridos. Pouco se sabe sobre a integridade física das nove mil pessoas que moram no Pinheirinho. Até parlamentares da cidade, representantes da justiça, OAB, defensoria pública e outros órgãos foram impedidos de até mesmo se aproximar do local por barreiras armadas da Tropa de Choque. Um morador do Pinheirinho foi ferido a bala e está internado na Vila em estado grave.

Há informações de mortes de moradores da ocupação. A PM se nega a divulgar o ocorrido. Como ninguém pode se aproximar do local, não se sabe ao certo a gravidade da violência a que os trabalhadores pobres do Pinheirinho estão submetidos. Os sinais de celular da região foram cortados por instrumentos da PM. Até a água do Pinheirinho foi cortada para forçar os moradores a sair do local conforme a ação da PM.

Enquanto isso, a prefeitura acertou com a PM e a juíza Márcia Loureiro de São José dos Campos, que insistiu na desocupação armada, apenas a acomodação precária das quase duas mil famílias em barracões do outro lado da avenida em que fica o Pinheirinho. Ou seja, a estratégia da prefeitura é apenas fazê-los cruzar a rua. Não há projeto de moradia popular. Não há decência política do prefeito e sobram interesses imobiliários no terreno.

A ação da PM do governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi planejada pelo prefeito Eduardo Cury (PSDB), pela juíza Márcia Loureiro de São José dos Campos contrariando uma negociação acertada na justiça estadual na semana passada que previa a suspensão da desocupação por 15 dias. Esse prazo seria destinado aos governos municipal, estadual e federal terminarem as negociações sobre a compra do terreno e a construção de moradias populares. Até a empresa falida havia aceitado esse acordo com a justiça estadual.

Só a juíza Márcia Loureiro e o prefeito tucano Eduardo Cury preferiram insistir na remoção violenta das famílias do local mesmo não havendo outro local para abrigá-los. A intenção é unicamente jogá-los na rua.

Negociação atropelada
A juíza e o prefeito atropelaram as negociações para regularizar o Pinheirinho de forma pacífica. A AGU (Advocacia Geral da União) quer discutir o tema na esfera federal. Além disso, uma oficial de Justiça foi até a ocupação na manhã deste domingo para entregar uma decisão do juiz federal Samuel de Castro Barbosa Melo, que suspendia o despejo dos moradores da área na zona sul da cidade.

Contudo, o juiz estadual Rodrigo Capez estava no local, recebeu e ignorou a ordem da justiça federal. A ordem determinava o fim da desocupação pela Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal. A justiça estadual endossou a ação arbitrária, irresponsável e preconceituosa do prefeito e da juíza Márcia Loureiro e apostou na violência para desapropriar a área, que, aliás, é suspeita de grilagem de terra e fraude cartorial das empresas do grupo Naji Nahas.

Os moradores do Pinheirinho merecem respeito! Não a ação violenta da PM a mando do prefeito e da juíza Márcia Loureiro! Pela suspensão da desocupação e pela regularização do bairro.

Solidariedade ao Pinheirinho
A situação dos moradores expulsos de suas casas piorou muito durante a noite. A polícia jogou bombas de gás lacrimogêneo por várias vezes em direção aos moradores que estavam dentro do centro de triagem montado em frente ao Pinheirinho e até mesmo dentro do pátio da igreja católica, onde outros moradores passaram a noite, no Jardim Colonial. A ação é da PM é fascínora e representa a política de perseguição do prefeito da cidade Eduardo Cury (PSDB) e da justiça estadual aos trabalhadores pobres do Pinheirinho.

A situação é ainda mais grave quando se nota que a Polícia Militar do governador tucano Geraldo Alckmin não permite a entrada da imprensa ou de entidades da sociedade civil. Apenas foi permitida a aproximação de alguns profissionais da imprensa conforme a conveniência da PM para fazer acreditar a ação é pacífica. Até mesmo deputados estaduais, vereadores da cidade e a defensoria pública estão impedidos até o momento de se aproximar e, muito menos, de circular dentro da ocupação.

Vale dizer que a ação da prefeitura, da justiça estadual e da PM não são amparadas por nenhuma medida pública de suporte aos moradores expulsos do acampamento. O próprio centro de triagem é um local barrento, sem infra-estrutura. Os moradores foram levados para vários pontos também sem nenhuma condição de atendimento. Muitos dos trabalhadores pobres do Pinheirinho passaram a noite em branco porque não tinham condições sem de dormir nos locais para onde foram levados. A única medida tomada pela prefeitura é tentar expulsá-los da cidade oferecendo passagem de ônibus, apenas passagem de ônibus. O prefeito quer se livrar da pobreza perseguindo os pobres e esperando que eles desapareçam como fumaça.

Vários atos estão programados em apoio aos trabalhadores do local.

Fonte: Imprensa Sindipetro-SJC

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