Plano de Resiliência

No dia 8 de março, a Petrobrás apresentou um “Plano de Resiliência”, com ações adicionais ao Plano de Negócio e Gestão (PNG) 2019-2023 que, de conjunto, escancaram o plano do governo Bolsonaro para o setor petroleiro, uma tragédia que traz graves consequências para a categoria e para o conjunto da sociedade brasileira. São US$ 8,1 bi de dólares de cortes só neste ano.

Em nota, a direção da companhia afirma que o objetivo do Plano aprovado pela Diretoria Executiva é “maximização de valor para os acionistas e para o Brasil”, mas na verdade, implicitamente, está o completo divórcio da Petrobrás com seu histórico e com os objetivos que levaram à sua criação, em 1953.

A Petróleo Brasileiro S.A. é fruto do esforço do estado Brasileiro e de toda sociedade, na luta pela construção da independência econômica do Brasil e de sua soberania energética. Perguntamos: o que tem a ganhar o Brasil e o povo brasileiro com esse nefasto plano de desmonte da maior empresa nacional e estatal e a perda de sua soberania no mercado de derivados de petróleo?

O plano se concentra em ampliar o programa de desinvestimentos (e ainda não inclui o plano de venda de refinarias) e no corte de gastos operacionais gerenciáveis, que inclui mais um plano de demissão voluntária, retirada de direitos e corte em contratos de terceiros.

As maiores empresas do setor possuem planos estratégicos que buscam diversificar sua produção, construindo empresas integradas, migrando o uso do petróleo para fins mais nobres e buscando fontes alternativas de energia. A Petrobrás vai na contramão, e a partir de um discurso obtusamente financista, é vítima de sua Diretoria Executiva que planeja seu desmonte, se alinha aos interesses da Bolsa de NY em detrimento das necessidades do Brasil e do povo brasileiro.

A intenção é explorar o pré-sal de maneira predatória, cada vez mais rápido, sem qualquer planejamento da produção que possa levar em conta o desenvolvimento econômico do Brasil, a geração de empregos, o financiamento da educação e da saúde e melhoria geral da condição de vida do povo brasileiro, paradoxalmente, para cumprir essa missão é necessário desmontar a Petrobrás.

Temos uma experiência recente com a privatização da Vale do rio doce, que com a alta do preço do minério de ferro, foi gerida com o objetivo de gerar lucros imediatos para seus acionistas em detrimento dos interesses da sociedade brasileira. O resultado (pouco mais de uma década depois) foi um rastro de destruição ambiental e tragédias humanitárias.

E para fazer frente a esse programa, precisamos exigir mesa única de negociação, realizar uma plenária com os 18 sindicatos para a construção necessária da mobilização em defesa da Petrobrás, do Acordo Coletivo de Trabalho, sobretudo, da Petros e, assim, impedir o avanço do programa Bolsonaro.

Fonte: Boletim da FNP, março de 2019.

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