Privatização dos Correios: dia de luto para os brasileiros

Menos de dois meses após a Eletrobras, a Câmara aprovou na última quinta-feira (05/08) o texto-base da privatização dos Correios. Com 358 anos de história, os Correios executam o direito da população ao serviço postal, garantido pela Constituição.

A inexplicável urgência na tramitação dos Correios esbarra ainda em dispositivos inconstitucionais ao longo do PL. Já de início a Constituição é afrontada com a tentativa do governo de tratar como atividade econômica a não como serviço público o serviço postal, apesar do que está bem expresso no artigo 21 da CF. Só por isso, não faria sentido sequer a existência desse projeto, que, entretanto, recebeu prioridade na Câmara.

Hoje os Correios arcam com os custos da universalização, ou seja, com toda a infraestrutura necessária para levar o serviço postal a todo o território. Com a quebra do monopólio, isso muda, pois, havendo outros operadores atuando com os serviços de correspondência, os quais certamente focarão sua atuação nos centros mais desenvolvidos e com maior demanda, o que restará ser coberto pelo operador responsável pelas regiões mais remotas será extremamente deficitário.

De acordo com cálculos dos Correios, o custo anual da universalização chega a R$ 6 bilhões. O resultado disso: mais impostos ou tarifas maiores para os brasileiros. Ou seja, vamos repetir o erro da Eletrobrás que menos de 1 mês depois da privatização já tínhamos anúncios de aumento da conta de energia elétrica.

Portanto, a quebra do monopólio postal afetará seriamente um quadro de sustentabilidade que tem permitido aos brasileiros pagar uma das menores tarifas postais do mundo, apesar de o Brasil ser o 5º maior país em território.

Vice-presidente da Associação dos Profissionais dos Correios, Marcos César Alves Silva afirma que vai procurar senadores, inclusive o presidente da Casa Alta, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para barrar o texto aprovado pela Câmara, que permite a privatização dos serviços postais.

Para a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), compete à União manter o serviço postal e o correio aéreo nacional.

Quem vai pagar essa conta?

O discurso do governo de que vai baixar preços é completamente falso. A armadilha está claramente colocada no projeto. Diferentemente do que apresenta a base bolsonarista, a privatização dos Correios não busca eliminar um monopólio, mas criar um oligopólio com alta concentração. O STF já quebrou o monopólio do Correio. No que diz respeito ao comércio eletrônico, não há monopólio. As compras de internet são altamente lucrativas.

Querem, na verdade, é tirar os Correios da concorrência das compras eletrônicas. O mercado quer cobrar o preço que quer, por isso querem tirar os Correios da concorrência. Isso vai ter alto custo para a sociedade. É uma empresa lucrativa. Pega o lucro e moderniza a empresa. Mas (o governo) não faz isso de propósito. Os Correios deram lucro de 1,5 bilhão apenas em 2020. Privatizar os Correios vai ampliar a desigualdade.

Mesmo serviços ao Estado, como distribuição de vacinas, remédios, provas do Enem e até mesmo o envio e recolhimento das urnas para votação nas eleições serão afetados. Isso porque o governo terá de pagar o preço que as empresas privadas cobrarem.

Em resumo, vale dizer que estão destruindo o Estado brasileiro para o povo pagar mais caro. O governo fala (que o povo vai) pagar mais barato. Mas está pagando ‘mais barato’ no gás de cozinha, no diesel, na gasolina? Isso é o que acontece com as privatizações.

A entrega do patrimônio nacional significa o abandono da questão estratégica para o país pelo governo Bolsonaro.

Países que realizaram privatização

Nenhum dos 20 maiores países tem correios privatizados. É evidente que um país continental precisa ter estratégia pública de direito à comunicação. Se pegarmos os oito países que têm serviço absolutamente privatizado, os oito têm tamanho menor do que o Mato Grosso. Desafio a base do governo a contestar esses dados

No mundo todo, os ativos estão depreciados e, no caso dos Correios, mais ainda, em função da sistemática campanha contra a empresa promovida por agentes do próprio governo federal, que seguem repetindo um script de fake news e de falácias sobre a organização, para tentar, assim, convencer a população da necessidade de privatização. 

Não podemos permitir a privatização dos Correios, uma empresa sólida e lucrativa!!

#naoaprivatizacaodoscorreios

Com informações: PSol, Câmara e Rede Brasil Atual.

 

 

 

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