Brasil

Painel do XIV Congresso da FNP analisa política e economia no novo governo Lula

Debatedores da CSP/Conlutas, PCB e PSOL fizeram leitura dos primeiros seis meses do novo governo e indicaram limites e possibilidades para a luta da classe trabalhadora O painel “Conjuntura nacional e geopolítica do petróleo” abriu os trabalhos do 2° dia (07/07) do XIV Congresso da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP). A mesa foi composta por Atnágoras Lopes, da executiva nacional da CSP-Conlutas; Sofia Manzano, economista, membro da direção do PCB e professora na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), e Sônia Meire, professora e vereadora de Aracaju (SE) pelo PSOL. Dirigente da CSP-Conlutas aponta limites da “conciliação de classes” em novo governo Lula Atnágoras Lopes criticou projetos do novo governo como o arcabouço fiscal e a reforma tributária, recém-aprovada, que não taxa, por exemplo, as grandes fortunas. “Havia e ainda há no bolsonarismo uma vertente de uma parcela de militares, parcela do alto escalão, se alimentando e se retroalimentando de um projeto de fechamento do regime. Nós, da CSP-Conlutas, estamos muito felizes pelo projeto da ultradireita ter sido desalojado do poder central. Estamos muito felizes porque a tentativa de golpe no dia 8 de janeiro não vingou e a ampla maioria da CSP- Conlutas defende punição e prisão para quem participou dela e para quem a financiou”, disse. “Agora, restabelecido o regime democrático burguês, não dá para haver meio termo em lutas, por exemplo, contra o arcabouço fiscal, contra o marco temporal. Sabemos ainda que a Petrobrás 100% estatal não faz parte do projeto do governo atual. É um olho no gato e outro no peixe”, afirmou Atnágoras. O dirigente da CSP-Conlutas ainda criticou a cultura individualista do empreendedorismo e os governos fomentadores de tais práticas. “O maior problema estrutural de um governo de conciliação de classes é a desgraça do retrocesso da consciência de classe”, salientou. Atnágoras criticou a posição das centrais sindicais, que estavam juntas até 31 de dezembro na luta pela revogação das reformas trabalhista e previdenciária, mas recuaram após a posse do novo governo. “A CSP vê a conjuntura atual e busca resgatar o princípio da independência de classe. Governo é governo e sindicato é sindicato. Só enfrentando o governo haverá independência. Este governo é de conciliação com a direita, então é necessário enfrentar o desafio de organizar a luta nas ruas e com pautas concretas e objetivas: contra a reforma administrativa; o arcabouço fiscal; pela reestatização da Petrobrás; anulação e privatização da Eletrobrás; pela revogação das reformas trabalhista, da previdência e do novo ensino médio”, disse Atnágoras. “E estaremos sempre juntos, em qualquer luta, contra o avanço da ultradireita no país”, concluiu o dirigente da executiva-nacional da CSP-Conlutas. Sofia Manzano analisa aspectos econômicos do novo governo e influência do imperialismo A professora universitária Sofia Manzano, do PCB, começou a palestra chamando atenção para a importância da categoria petroleira, uma vez essa está posicionada no setor estratégico de energia. Como economista, ela ressaltou questões que estão por trás de movimentos como a conciliação de classes, que vai sendo empurrada goela abaixo, ou como a extrema direita fascista, que ganha a subjetividade de um setor da classe trabalhadora que a apoia. E muitos desses instrumentos estão relacionados à forma como os dados econômicos são apresentados. “É assim como na Idade Média, quando toda a exploração da nobreza sobre a classe trabalhadora, naquele período, era justificada em nome de Deus. Só quem falava com Deus eram os padres, que rezavam a missa em latim e ninguém entendia nada. Mas acreditavam e não se sublevavam contra a dominação. A economia hoje é a nova missa em latim e 99% da população nada entende, mas acredita, porque os dados são apresentados como se fossem fatos”, disse. “Um dos instrumentos ideológicos da ciência da própria economia é apresentar dados como se fossem fatos, quando eles são apenas uma visão dos acontecimentos gerais e não a sua totalidade. Portanto, são dados apresentados com objetivos políticos e ideológicos para levar a população a aceitar determinadas conjunturas”, explicou Sofia Manzano. A professora e candidata à presidência da República em 2022 também comentou sobre o atual governo e as suas perspectivas para a área econômica. “Nós estamos nesses primeiros seis meses de governo de conciliação Lula/Alckmin com indicadores conjunturais que parecem animadores, como a queda da inflação, as projeções positivas do PIB e do superávit da balança comercial, por exemplo. Então, parece que realmente é uma política que vai dar certo, mas são dados superficiais que escondem uma estrutura produtiva-econômica permanente de baixos salários, que vai se aprofundar ainda mais e que é nefasta para o país”, afirmou. Sofia Manzano criticou a última distribuição de dividendos de R$ 25 bilhões feita pela Petrobrás já neste governo e a Reforma Tributária recém-aprovada, que não taxou esses dividendos. “Eles não pagam um centavo por essa renda!”, protestou. Manzano também falou contra o domínio do agronegócio na economia e na política brasileiras, porque “é a favor desse agronegócio que as políticas econômicas estão sendo feitas”. E ressaltou que as viagens de Lula são para trazer a influência do imperialismo ao Brasil: “Está sendo aprofundada a dependência externa. O Lula vai convencer o capital externo a vir aqui aumentar a exploração e isto se chama imperialismo!” “Então, esse tipo de estrutura que se consolida no Brasil, de política do setor financeiro, do agronegócio e capital externo, não permite prever qualquer projeto de desenvolvimento, assim como não prevê o não retorno de um governo de ultradireita e fascista”, afirmou Manzano. Vereadora do PSOL defende foco no combate à ultradireita A vereadora Sônia Meire (PSOL/Aracaju) iniciou sua intervenção destacando que não podemos desconectar o debate de conjuntura nacional da conjuntura internacional, principalmente no setor energético, que é dominado pela Índia, China e Estados Unidos. “Com todas as políticas governamentais que tivemos até agora, nós estamos cada vez mais entregando nossas matéria-prima”, destacou. “A base da nossa estrutura é patriarcal, racista, e corresponde a uma política de submissão de uma raça sobre a outra. No período recente, nós tivemos o aprofundamento da exploração sobre população negra, periférica, indígena e de

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