A classe trabalhadora é a força motriz da sociedade em todo o mundo e não se rende aos capitalistas e imperialistas de plantão
A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) saúda o 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras.
Convocamos toda a categoria petroleira a ir às ruas e se integrar massivamente aos atos classistas e independentes que ocorrem por todo o país nesta sexta-feira.
Diante da atual conjuntura, precisamos reafirmar o caráter independente da nossa entidade frente a governos e patrões, fundamental para nossa federação, como foi ressaltado no último congresso sob o mote: “15 anos de independência e luta”.
Acreditamos, hoje e sempre, no potencial transformador e emancipatório da classe trabalhadora de todas as categorias na construção de uma sociedade justa e livre da exploração.
Neste Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras, é imperativo denunciar e repudiar a escalada autoritária do governo do estado de São Paulo. A mando do governador Tarcísio de Freitas, a Polícia Militar impediu a realização do legítimo ato convocado pela CSP-Conlutas e outros movimentos de esquerda, cuja pauta central era a exigência do fim da desumana escala 6×1.
Em uma verdadeira afronta à democracia e à classe trabalhadora, este mesmo governador liberou o espaço público e ofereceu proteção para os apoiadores do pré-candidato de extrema direita, Flávio Bolsonaro, que devem ocupar a via para pedir a liberdade de seu pai, o ex-presidente e golpista Jair Bolsonaro, que foi devidamente condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime fechado, por liderar uma organização criminosa e tentar um golpe de Estado.
A classe trabalhadora não assistirá passivamente à censura de suas pautas para dar palco ao golpismo bolsonarista!
Nesta sexta-feira, marcharemos para reforçar a defesa inegociável do fim da escala 6×1 e pela adoção de um regime de trabalho 5×2, com jornada de 40 horas semanais. O projeto que tramita no Congresso Nacional possui um gigantesco apelo popular, e sua aprovação é uma urgência humanitária, sobretudo para aliviar a exaustão de milhões de brasileiros e brasileiras inseridos em setores historicamente precarizados pelo capital.
No âmbito da nossa própria categoria, a luta por soberania continua sendo um dos nossos nortes.
Os petroleiros exigem a imediata reestatização da BR Distribuidora. Privatizada criminosamente durante o governo Bolsonaro, a entrega desse ativo cobra seu preço hoje, em um momento de grave crise energética mundial, que se aprofunda vertiginosamente com a eclosão de mais uma nova guerra e escaladas de tensão no Oriente Médio.
Por isso, ter uma distribuidora de combustíveis 100% estatal, que assegure a máxima “do poço ao posto”, é a única ferramenta capaz de proteger a população brasileira das flutuações internacionais, garantindo abastecimento e preços justos nos combustíveis, dissociados da lógica parasitária dos acionistas estrangeiros.
Ao mesmo tempo, em defesa das nossas riquezas de amanhã, defendemos a criação da “Terrabras” – uma empresa pública estruturada para pesquisar, explorar e comercializar terras raras e minérios críticos.
Esses minerais são a chave da transição energética e tecnológica, e o Brasil tem sido alvo direto da rapina e da cobiça estrangeira, capitaneada pelo império estadunidense. Manter nossos recursos sob o comando estatal e popular é a única via para assegurar a nossa soberania econômica e evitar que o nosso subsolo sirva apenas de esteira para a militarização das potências do Norte Global.
Ainda sobre a nossa realidade cotidiana, levantamos a bandeira da dignidade e da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras que atuam embarcados. Lutamos pelo avanço imediato da escala 14×21 (14 dias trabalhados e 21 dias de descanso) para todos os profissionais do Sistema Petrobras — próprios e terceirizados — e para toda a indústria do petróleo offshore nacional.
Apoiamos ainda a aprovação do Projeto de Lei 4875/2025, atualmente em tramitação no Congresso, que estende esse direito vital garantido hoje a uma parcela restrita, corrigindo desigualdades históricas, preservando a saúde mental da categoria e forçando a abertura de uma “quinta turma” de embarque, o que irá gerar milhares de empregos no país.
Por fim, não haverá emancipação da nossa classe sem o internacionalismo solidário: Fora Trump da América Latina! Fora imperialismo!
Repudiamos com veemência a barbárie perpetrada pelos Estados Unidos no início deste ano de 2026, com o inaceitável sequestro e captura do presidente Nicolás Maduro na Venezuela, numa ação militar voltada unicamente à usurpação das maiores reservas de petróleo do mundo.
Como consequência direta dessa investida criminosa e do estrangulamento da economia venezuelana, presenciamos o covarde recrudescimento do bloqueio à Cuba. Sem o fornecimento do petróleo da Venezuela, o povo cubano foi atirado a uma crise energética sem precedentes, um ato perverso e desumano que só foi remediado recentemente com o envio de combustíveis por parte da Rússia.
As ações do governo dos EUA põe em marcha o que vem sendo chamado de ‘Doutrina Donroe’, uma versão ainda mais tirânica e declarada da Doutrina Monroe, em que buscam impor o controle militar direto e confiscar os recursos naturais nas Américas, rasgando a soberania dos nossos coirmãos latino-americanos.
A mesma ganância que tomou de assalto o petróleo na Venezuela é a que cobiça as nossas terras raras. A luta pela Terrabras é, no fundo, a luta por não nos tornarmos o próximo alvo dessa rapina.
Trabalhadores e trabalhadoras do mundo, sempre, uni-vos!
Viva o 1º de Maio!
Viva a luta da classe trabalhadora!
Pelo poder nas mãos de quem trabalha e produz as riquezas do Brasil e do mundo!



